A inflação nos EUA saltou para 3,8% em abril, seu maior nível em três anos, enquanto a guerra no Irã continuava a impulsionar uma forte alta nos preços dos combustíveis.
O índice de preços ao consumidor do Escritório de Estatísticas do Trabalho subiu em relação a março e fevereiro, quando registrou 3,3% e 2,4%, respectivamente, antes do início do conflito. Economistas consultados pela Bloomberg esperavam um aumento de 3,7%.
O índice de inflação divulgado na terça-feira é o mais alto desde maio de 2023, quando o país sofria com o choque energético provocado pela invasão da Ucrânia pela Rússia. A inflação subiu 0,6% em abril na comparação mensal.
O relatório é o mais recente indicador de como o conflito está repercutindo na economia norte-americana, gerando preocupação crescente sobre a extensão do choque de preços. A meta de inflação estabelecida pelo Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) é de 2%.
“A inflação nos EUA está perto de atingir o pico, mas isso não significa que o alívio seja iminente”, afirmou George Brown, economista sênior da Schroders. “Com os preços do petróleo ainda imprevisíveis, o perigo é que um choque energético temporário se transforme em algo mais persistente”, declarou.
A alta no último relatório foi impulsionada principalmente pelos preços mais altos nos combustíveis, com a gasolina subindo 28,4% em relação ao ano anterior. O núcleo da inflação, que exclui os voláteis preços de alimentos e energia, subiu para 2,8%, ante 2,6% no mês anterior.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro recuaram após o relatório, embora tenham permanecido em alta no dia, indicando que os operadores não estavam revisando suas expectativas de taxa de juros em resposta aos dados.
O rendimento de dois anos, que acompanha as expectativas de política monetária, subiu 0,02 ponto percentual no dia, para 3,97%. O dólar e os futuros de ações dos EUA também tiveram pouca variação.
“Os mercados já haviam descartado cortes de juros para 2026 antes do relatório, e nada nos dados sugere que aumentos de juros voltaram a ser cogitados”, disse Tim Urbanowicz, estrategista-chefe de investimentos da Innovator ETFs, da Goldman Sachs Asset Management.
O otimismo em relação a um acordo de paz havia ajudado a conter os preços nos últimos dias, mas isso se dissipou depois que Trump, no domingo (10), classificou a resposta do Irã à última proposta americana como “inaceitável”. O presidente alertou que um cessar-fogo está agora em “estado crítico”.
Os preços da gasolina nos EUA subiram mais de 50% desde que o conflito eclodiu, chegando a US$ 4,50 o galão na terça-feira (12), segundo a AAA. O diesel subiu em proporção semelhante, para US$ 5,64, próximo de sua máxima histórica.
Parlamentares propuseram nesta semana uma legislação para suspender os impostos federais sobre combustíveis, a fim de proporcionar alívio aos motoristas. Trump afirmou que a medida, se aprovada, deve durar “enquanto for apropriado”.
Fonte: Folha SP

