Na prática de exercícios físicos, o desconforto esperado costuma ser muscular e localizado, sempre relacionado ao movimento ou à sobrecarga, e tende a diminuir rapidamente ao interromper a atividade. Mas e quando não melhora? Saiba como identificar os sinais de alerta que indicam risco de infarto durante o treino.
Segundo o médico cardiologista Daniel Petlik, membro do corpo clínico do Einstein Hospital Israelita e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o que preocupa é a sensação de pressão, aperto, queimação ou peso no centro do peito, principalmente se acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou irradiação para braço, mandíbula ou costas.
O especialista destaca outro ponto importante:
“Quando a dor é nova, mais intensa que o habitual, aparece com menos esforço ou persiste mesmo após parar, ela merece avaliação imediata. A angina estável costuma ser previsível, desencadeada pelo esforço e aliviar com repouso; quando o padrão muda, o sinal de alerta aumenta.”
A falta de ar passa a ser preocupante quando é desproporcional ao nível de esforço, aparece de forma súbita, piora progressivamente, impede a pessoa de falar ou continuar a atividade, ou vem associada aos sintomas ou sensação de desmaio. “Em outras palavras, não é a ‘respiração ofegante normal’ do exercício, mas uma dispneia fora do padrão para aquela pessoa e para aquela intensidade”, explica.
O que fazer?
Esses sintomas, sobretudo quando surgem durante o esforço ou logo após, merecem atenção por poderem indicar uma síndrome coronariana aguda. Ao sentir um ou mais desses sinais, a orientação é interromper imediatamente o exercício.
Se os sintomas forem intensos, persistirem por mais de alguns minutos ou vierem acompanhados de suor frio, náusea, desmaio, piora progressiva ou sensação de gravidade, o correto é acionar o serviço de emergência pelo 192.
Segundo o médico, não é recomendável “insistir para ver se melhora” nem continuar treinando. Quanto mais cedo houver avaliação, maior a chance de evitar complicações e reduzir o dano ao coração.
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Risco aumentado
O risco de infarto durante exercícios físicos é maior em pessoas com doença cardiovascular conhecida ou múltiplos fatores de risco, como tabagismo, pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de doença cardiovascular precoce. Segundo o cardiologista, também merecem atenção pessoas que já tiveram infarto, angina, arritmias ou insuficiência cardíaca, ou que apresentam sintomas durante o esforço.
Vale lembrar que a atividade física regular, quando bem orientada, reduz o risco cardiovascular no longo prazo. O problema costuma estar no exercício intenso, abrupto e sem preparo em quem já tem risco aumentado.

