Polymarket: Metade de apostas militares incomuns acertam – 01/05/2026 – Economia

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Polymarket: Metade de apostas militares incomuns acertam - 01/05/2026 - Economia

Mais da metade das apostas de “baixa probabilidade” em ações militares feitas na Polymarket são bem-sucedidas, segundo um relatório que sugere que os mercados de previsão são ameaça maior do que o reconhecido anteriormente à segurança de informações sensíveis.

Uma análise do Anti-Corruption Data Collective, um grupo de pesquisa e defesa de direitos sem fins lucrativos, descobriu que apostas de baixa probabilidade —aquelas de US$ 2.500 ou mais com chances de 35% ou menos— na plataforma tiveram uma taxa média de vitória de cerca de 52% em mercados sobre ações militares e de defesa.

Isso se compara a uma taxa de vitória de 25% em todos os mercados focados em política e 14% para todos os mercados da plataforma como um todo.

A pesquisa deve aumentar as crescentes preocupações entre reguladores e legisladores sobre pessoas com informações privilegiadas fazendo apostas sobre o momento e o sucesso de ações militares, em meio a temores de que isso possa revelar informações classificadas antecipadamente.

O relatório analisou mais de 400 mil mercados de previsão encerrados na Polymarket entre janeiro de 2021 e março de 2026. Ele surge após promotores americanos acusarem um soldado envolvido no planejamento da captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

O soldado da ativa Gannon Ken Van Dyke teria feito aproximadamente 13 apostas na Polymarket no valor de US$ 33.034, que renderam mais de US$ 400 mil, em posições incluindo “Forças dos EUA na Venezuela” e “Maduro fora” enquanto sabia de informações classificadas. Ele se declara inocente.

Essa é a primeira ação judicial nos Estados Unidos por uso de informações privilegiadas em mercados de previsão. No início deste ano, Israel acusou um reservista e um civil de usar informações classificadas para apostar nas operações militares do país na Polymarket.

Mercados políticos onde pequenos grupos de tomadores de decisão podem determinar resultados, particularmente setores militares e de defesa, eram “estruturalmente vulneráveis ao uso de informações privilegiadas”, disse o ACDC, acrescentando que a dinâmica não apenas ameaça a segurança da informação, mas também “prejudica apostadores comuns”.

O relatório também descobriu que mercados sobre eventos culturais, como vencedores de competições ou lançamentos musicais, eram desproporcionalmente propensos a hospedar apostas suspeitas, com 29% das apostas de baixa probabilidade nesses mercados sendo bem-sucedidas.

Os organizadores do Prêmio Nobel da Paz também investigaram um possível vazamento no ano passado depois que apostas online a favor da líder da oposição venezuelana María Corina Machado dispararam poucas horas antes de ela vencer o prêmio.

Também houve preocupações sobre manipulação de mercado. O serviço de previsão meteorológica da França apresentou uma queixa policial neste mês após detectar anomalias em seus medidores de temperatura em Paris, que coincidiram com uma onda de apostas bem cronometradas na Polymarket.

Alguns dos mercados militares e políticos da Polymarket atraíram apostas pesadas. Mercados sobre se os EUA e o Irã chegarão a um acordo de paz permanente tiveram US$ 63 milhões em volume de negociação, enquanto um sobre se a China invadirá Taiwan em 2026 atraiu US$ 23 milhões.

Apostas esportivas, ainda assim, continuam dominando a plataforma, com o volume de negociação sobre qual time venceria o Super Bowl no início deste ano ultrapassando US$ 700 milhões.

A Polymarket se recusou a comentar o relatório. A empresa disse anteriormente que proíbe negociações com informações confidenciais roubadas ou por aqueles que podem influenciar o resultado.

Em uma publicação no X na semana passada, a Polymarket disse que a prisão de Van Dyke foi “prova de que o sistema funciona”. A empresa acrescentou que quando identificou “um usuário negociando com informações governamentais classificadas”, encaminhou o assunto ao Departamento de Justiça dos EUA e cooperou com a investigação.

Com a atenção voltada às suspeitas de uso de informações privilegiadas, as plataformas de mercados de previsão estão tentando tranquilizar clientes e legisladores de que reprimem a manipulação de mercado.

A Kalshi, principal rival da Polymarket, tem promovido fortemente seus próprios esforços, incluindo uma parceria com a empresa de vigilância de mercado Solidus Labs, enquanto busca se distanciar da Polymarket e enfatizar suas credenciais como a maior plataforma regulamentada nos EUA.

A Kalshi proíbe o que chama de “mercados violentos, incluindo guerra e sequestro” —embora permita apostas sobre o fechamento do estreito de Hormuz— dizendo que os mercados “não devem incentivar danos”, enquanto também exige comprovação de identidade. A Polymarket não exige que a maioria dos usuários de seu site internacional forneça comprovação de identidade e permite pagamentos usando canais de criptomoeda anônimos.

A situação, no entanto, criou uma oportunidade de negócio para uma onda de startups que vendem ferramentas para ajudar usuários a lucrar copiando apostadores suspeitos de serem “insiders”.

“As plataformas estão criando novas regras para tentar eliminá-los e deixar claro que não permitem essa atividade. Isso para mim […] prova que há algum fluxo de informações privilegiadas que vale a pena seguir”, disse Matt Saincome, CEO da provedora de dados financeiros Unusual Whales, que vende uma ferramenta que monitora apostas suspeitas na Polymarket por US$ 20 mensais.

Outra startup, a Polywhaler, promete ajudar apostadores a “monitorar grandes apostas em tempo real” por US$ 4,99 por mês.

A própria Polymarket publicou uma lista das dez carteiras mais copiadas em seu blog, incluindo recomendações sobre estratégias a seguir e armadilhas a evitar ao copiar negociações.

As duas empresas há muito argumentam que suas plataformas aproveitam a sabedoria coletiva para prever eventos com precisão. Mas outro estudo recente descobriu que os mercados de previsão refletem a “sabedoria de uma minoria informada”.

Apenas 3% de todas as contas geram a maioria da descoberta de preços, segundo um estudo liderado por Roberto Gómez Cram, professor assistente de finanças na London School of Economics.

O restante não “produz sabedoria”, disse o estudo, e portanto é mais provável que perca dinheiro. Assim, eles financiam traders habilidosos gerando a maior parte do volume, “e suas perdas fluem como lucros para a minoria informada”.

Fonte: Folha SP

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