É só chegar o outono e o inverno que começam os espirros, nariz entupido, coceira nos olhos e por aí vai. É a sinfonia típica de quem convive com rinite ou sinusite, duas condições que costumam piorar quando o ar fica mais frio e seco. Nessa época do ano, as pessoas também tendem a passar mais tempo dentro de casa, com as janelas fechadas e mais expostas a ácaros da poeira e pelos de animais — dois dos gatilhos para as crises.
Qual a diferença entre rinite e sinusite?
A rinite é uma inflamação da mucosa nasal, especialmente da mucosa que reveste os cornetos nasais (estruturas ósseas que ficam nas paredes laterais do nariz). Já a sinusite é a inflamação das mucosas dos seios da face, região do crânio composta por cavidades ósseas ao redor do nariz, das maçãs do rosto e dos nossos olhos.
A inflamação é a resposta natural do nosso corpo a uma invasão ou a uma agressão, como infecção, alergia, lesão ou contato com substâncias. Quando o organismo identifica um possível inimigo que pode causar dano, o sistema imunológico (nossa defesa) libera substâncias químicas que aumentam o fluxo sanguíneo e recrutam células de defesa para iniciar uma luta no local afetado.
“A rinite costuma se manifestar com crises de espirros e sintomas mais evidentes, que acabam chamando a atenção de quem está ao redor. Já a sinusite provoca dor de cabeça persistente, tosse, congestão nasal e uma coriza menos abundante. Por isso, seus sintomas tendem a ser menos perceptíveis para outras pessoas”, explica Camilla Pereira, alergista e imunologista da Clínica Plunes, em Curitiba (PR).
Como se desencadeia uma crise de rinite
Nas pessoas com rinite alérgica, o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias normalmente inofensivas, como ácaros, pólen, mofo ou pelos de animais. Mudanças bruscas de temperatura (clima e ar condicionado) e cheiros fortes (perfume, produtos de limpeza, fumaça de cigarro) também podem desencadear uma crise.
“Essa reação leva à liberação de mediadores inflamatórios, especialmente a histamina, que provocam dilatação dos vasos sanguíneos, aumento da produção de secreção e irritação das terminações nervosas do nariz”, explica Paulo Mendes Jr., otorrinolaringologista do Hospital IPO, também na capital paranaense.
A inflamação provoca inchaço dessa mucosa, resultando em obstrução nasal. A estimulação das terminações nervosas gera os famosos espirros, enquanto o aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos favorece a produção de secreção, causando a coriza. “Muitas vezes, a inflamação também afeta os olhos, levando a coceira, vermelhidão e lacrimejamento”, afirma o especialista.
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Tipos de rinite
A rinite pode ser dividida em dois grandes grupos: rinite alérgica e rinite não alérgica. Dentro das rinites não alérgicas, há os seguintes subtipos:
- rinite vasomotora: desencadeada por mudanças de temperatura e exposição a cheiros fortes;
- rinite medicamentosa: causada pelo uso excessivo de gotas nasais vasoconstritoras;
- rinite hormonal: associada a alterações hormonais, comuns durante a gestação;
- rinite ocupacional: provocada pela exposição a poeiras, produtos químicos ou outros poluentes no ambiente de trabalho;
- rinite gustativa: desencadeada pela ingestão de determinados alimentos.
“Também é comum encontrarmos pacientes com rinite mista, que apresentam componentes alérgicos e não alérgicos simultaneamente”, destaca Mendes Jr.
Como se desencadeia uma crise de sinusite
No caso da sinusite — ou rinossinusite, termo mais utilizado pelos médicos —, a crise ocorre quando há uma inflamação dos seios da face, cavidades cheias de ar localizadas em alguns ossos do rosto e do crânio.
Essa inflamação pode ser desencadeada por alergias, infecções virais, bacterianas ou fúngicas, além de outros fatores inflamatórios. Em alguns casos, características anatômicas também podem favorecer o surgimento do problema.
“Às vezes, a pessoa tem uma adenoide aumentada e amídalas aumentadas, alterações anatômicas que podem levar a esse quadro”, explica Pereira.
A adenoide é um tecido de defesa localizado na parte de trás do nariz e, quando aumentada, pode dificultar a passagem do ar e favorecer o acúmulo de secreções.
Segundo a médica, a sinusite geralmente apresenta um quadro mais arrastado. Por isso, uma congestão nasal que dura apenas três ou quatro dias nem sempre indica a doença. Já sintomas como dor de cabeça, sensação de peso na face e gotejamento pós-nasal podem ajudar no diagnóstico.
Tipos de sinusite
As sinusites podem ser classificadas de diferentes formas. Uma delas leva em conta a duração dos sintomas, segundo os especialistas. Nessa classificação, a doença é considerada:
- aguda, quando dura até quatro semanas;
- subaguda, quando persiste entre quatro e 12 semanas;
- crônica, quando os sintomas permanecem por mais de 12 semanas;
- há ainda os casos recorrentes, marcados por episódios repetidos ao longo do ano.
A sinusite também é classificada pela causa. A forma viral é a mais comum e costuma surgir após resfriados e outras infecções respiratórias. Já a sinusite bacteriana pode se desenvolver quando uma infecção persiste ou se agrava. Em situações mais raras, a inflamação é provocada por fungos, caracterizando a chamada sinusite fúngica.
A rinite pode levar à sinusite?
Sim, porque a rinite provoca inflamação e inchaço da mucosa nasal, dificultando a drenagem adequada dos seios da face. E quando a secreção fica retida, aumenta o risco de proliferação de microrganismos e desenvolvimento de sinusite.
Tratamentos para rinite e sinusite
Para a rinite, de acordo com Mendes Jr., o tratamento se apoia em três pilares principais: controle ambiental para reduzir a exposição aos gatilhos, lavagem nasal com soro fisiológico e uso de medicamentos quando necessário.
Entre os remédios mais utilizados, estão os sprays nasais com corticoides, os anti-histamínicos e outras medicações específicas para controlar a inflamação e aliviar os sintomas.
“Em pacientes selecionados, a imunoterapia alérgeno-específica, conhecida popularmente como vacina para alergia, pode atuar na causa da doença e proporcionar melhora duradoura”, explica o médico.
Já o tratamento da sinusite varia de acordo com a causa e o momento da doença. Segundo Pereira, a abordagem pode incluir lavagem nasal com soro fisiológico, cuidados ambientais e o uso de medicamentos tópicos, como corticoides e anti-histamínicos.
Nas fases agudas, também podem ser indicados corticoides orais e, em alguns casos, antibióticos.
A especialista acrescenta que, nos casos de sinusite associada a alergias, a imunoterapia pode fazer parte do tratamento. Além disso, os imunobiológicos vêm sendo cada vez mais indicados para determinados pacientes.
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