A Copa do Mundo de 2026 terá parte dos jogos da seleção brasileira em horários noturnos para quem acompanha do Brasil, devido ao fuso dos países-sede Estados Unidos, México e Canadá. Na primeira fase da competição, os três jogos da seleção ocorrerão à noite.
Shoppings e supermercados, por exemplo, podem fechar mais cedo e não funcionar no horário da partida.
Empresas e órgãos públicos também já preveem mudanças na rotina para permitir que trabalhadores acompanhem as partidas caso o Brasil avance e tenha partidas em horário comercial.
Levantamento da Serasa Experian indica que 88,2% dos brasileiros avaliam de forma mais positiva empregadores que flexibilizam a jornada durante jogos importantes do torneio. Desse total, 71% afirmam que a percepção melhora muito e 17,2%, um pouco. Apenas 2,2% dizem que a imagem da empresa piora.
A pesquisa também mostra que os profissionais não esperam necessariamente uma paralisação completa das atividades. Para 34,6%, a melhor alternativa é flexibilizar horários sem interromper o trabalho. Outros 26,8% defendem que a decisão varie conforme a área ou função exercida, enquanto 23,3% apoiam a liberação ou encerramento antecipado do expediente.
Abaixo, veja iniciativas de órgãos públicos e empresas privadas de diferentes setores.
Shoppings
Os shopping centers também terão horários diferenciados durante os jogos da seleção. No Shopping Metrô Tucuruvi, as lojas funcionarão das 9h às 18h nos jogos marcados para 19h e das 9h às 21h na partida das 21h30. O empreendimento também terá transmissão dos jogos em restaurantes como Coco Bambu, Outback e Mania de Churrasco.
No SuperShopping Osasco, as operações funcionarão das 10h às 18h nos jogos das 19h, com abertura facultativa entre 18h e 22h. Na partida das 21h30, o expediente vai das 9h às 20h30, também com horário facultativo após esse período.
O Shopping Granja Vianna encerrará as atividades das lojas uma hora antes dos jogos das 19h, enquanto restaurantes e parte da praça de alimentação poderão continuar funcionando durante as partidas. Já no confronto marcado para 21h30, as lojas operarão até 20h30.
No Pátio Cianê Shopping, as lojas funcionarão das 9h às 18h30 nos jogos das 19h e até 21h no confronto das 21h30. O empreendimento também contará com transmissão das partidas no Outback Steakhouse e espaço para troca de figurinhas do álbum oficial.
Supermercados
Entre os supermercados, as estratégias variam. Segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados), não existe uma orientação única para o setor. A entidade afirma que cada rede define suas escalas e eventuais ajustes de jornada de acordo com o perfil dos consumidores e a demanda local.
O Grupo Pão de Açúcar informou que encerrará as atividades de suas lojas uma hora antes dos jogos da seleção na primeira fase da Copa.
Já o Dia fechará as lojas durante as partidas do Brasil e montará uma estrutura com telão, arquibancadas, pipoca e refrigerante para funcionários do centro de distribuição. No escritório da companhia, colaboradores também serão liberados antecipadamente quando houver impacto direto no horário de trabalho.
Varejo
No varejo, não existe uma solução única para o comércio, segundo a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas). A entidade recomenda que empresários avaliem a realidade de cada operação e negociem previamente eventuais mudanças com as equipes. Segundo a confederação, são comuns medidas como liberação antecipada, banco de horas, home office e instalação de telões em áreas de convivência, especialmente em atividades que não podem ser interrompidas.
As Casas Bahia informaram que encerrarão o expediente das lojas de rua uma hora antes das partidas. Em unidades localizadas em shopping centers que permanecerem abertos após os jogos, os funcionários poderão acompanhar a transmissão na própria loja antes da retomada das atividades.
O Magazine Luiza diz que fará adaptações nas escalas de trabalho durante os dias em que a seleção entrar em campo.
Bancos
Na fase de grupos da Copa, que terá três jogos à noite, agências não terão alteração. Mas a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) já definiu horário especial de atendimento se as partidas do Brasil ocorrerem em horário comercial, com início até as 17h. Unidades que normalmente abrem às 9h manterão esse horário, mas fecharão mais cedo. Em partidas iniciadas às 14h, o atendimento ocorrerá das 9h às 12h; em jogos às 16h, das 10h às 14h; e, quando a bola rolar às 17h, das 10h às 15h. Os canais digitais, internet banking, aplicativos, caixas eletrônicos e o Pix funcionarão normalmente.
Servidores públicos
O governo federal publicou portaria que permite a alteração excepcional do horário final de expediente de servidores, empregados públicos, temporários e estagiários nos dias de jogos da seleção brasileira.
A medida não configura ponto facultativo: os órgãos deverão continuar funcionando e as horas não trabalhadas precisarão ser compensadas entre 3 de agosto e 30 de setembro de 2026. Quem não fizer a compensação poderá sofrer desconto proporcional na remuneração.
Nos dias de jogos do Brasil, servidores poderão se ausentar a partir de:
- 11h, para jogos às 14h
- 13h, para jogos às 16h
- 14h, para jogos às 17h
- 15h, para jogos às 18h
- 16h, para jogos às 19h
- 18h30, para jogos às 21h30
- 19h, para jogos às 22h
Órgãos e entidades deverão permanecer em funcionamento nos horários de realização das partidas e agentes públicos que preferirem manter sua jornada regular poderão trabalhar normalmente.
Telesserviços
Nas empresas de atendimento ao consumidor, a prioridade é manter a operação sem interromper os serviços. Segundo a ABT (Associação Brasileira de Telesserviços), é comum a instalação de televisores e telões para que os funcionários acompanhem os jogos, além de medidas como flexibilização de jornada, ajustes de escala e compensação de horas.
A Foundever, uma das empresas do setor, preparou uma programação especial para funcionários presenciais e em home office. A companhia promoverá quizzes sobre a Copa, campeonatos internos, distribuição de brindes e transmissões das partidas em áreas comuns.
Saúde
Na área da saúde, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz informou que manterá normalmente sua operação assistencial e as escalas de trabalho durante todo o torneio. Para colaboradores das áreas corporativas, os jogos do Brasil serão exibidos em telão no auditório e em televisores instalados em refeitórios e outros espaços internos. Pacientes internados e acompanhantes também poderão ver partidas pelas TVs dos quartos e áreas comuns.
Bares e restaurantes
Em bares e restaurantes, o cenário também é diferente. O setor espera aumento de movimento justamente durante os jogos. Segundo a Abrasel-SP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo), cerca de metade dos estabelecimentos deve transmitir as partidas da Copa e a expectativa é de crescimento de aproximadamente 20% no faturamento ao longo do torneio. “Muita empresa libera mais cedo porque os funcionários querem ir para um bar assistir ao jogo. Nós somos a infraestrutura da festa”, diz Gabriel Pinheiro, diretor da entidade.
No restaurante Espetinhos Paulista, em Cajamar (Grande SP), por exemplo, a programação inclui telões e decoração temática. Para o garçom Aureliano Santos, 53, que trabalha há seis anos no estabelecimento, a Copa muda o clima do negócio. “Os clientes chegam mais animados. É muito gostoso ver todo mundo reunido por um mesmo motivo”, afirma. Segundo ele, os funcionários também conseguem acompanhar os lances pelos telões sem deixar o atendimento de lado. A proprietária, Lanny Mattos, afirma que a equipe trabalha em sistema de revezamento sempre que possível e consegue acompanhar parte das partidas sem comprometer a operação.
Motoristas de app
Entregadores e motofretistas de aplicativo encaram uma decisão difícil entre assistir ao jogo ou trabalhar. Segundo a Amabr (Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil), nas Copas anteriores os pedidos caíam durante os 90 minutos de jogo, com pequenos picos antes e depois das partidas.
A associação calcula que o profissional que prefere assistir ao jogo pode perder entre 20% e 30% da renda no dia. Segundo a entidade, períodos offline refletem em queda de desempenho e posição no ranking dos aplicativos, com consequências nas corridas seguintes.
Na opinião de Gilberto dos Santos, presidente do SindimotoSP (Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas de São Paulo), calibram promoções, bonificações e abatimento de metas de forma individualizada, tornando o custo de ficar em casa alto o suficiente para que muitos prefiram trabalhar.
O iFood anunciou uma campanha chamada “O jogo começa na rua”, com sorteios, distribuição de itens oficiais da CBF e ativações presenciais em 12 cidades. O app também prevê 41 pontos de apoio com transmissão dos jogos, brindes e espaços de convivência para os entregadores.
Em nota, a campanha diz respeitar a autonomia de cada um para decidir quando e como se conectar à plataforma, inclusive durante os jogos.
Empresas são obrigadas a liberar funcionários?
Segundo o advogado Daniel Ribeiro, sócio do VLF Advogados, a legislação trabalhista não obriga empresas a liberar funcionários para assistir aos jogos da Copa. A decisão depende da política interna de cada empregador, de acordos coletivos ou de negociações específicas entre empresa e trabalhadores.
Quando a empresa permite ou promove a transmissão das partidas durante o expediente, o período costuma ser considerado tempo à disposição do empregador. Nesses casos, o trabalhador continua recebendo normalmente e não há possibilidade de desconto salarial. A compensação de horas só ocorre quando houver previsão prévia em acordo interno ou coletivo.
O especialista afirma ainda que setores essenciais ou que dependem de funcionamento contínuo tendem a ter menos margem para flexibilizações, embora possam adotar mecanismos como escalas diferenciadas, revezamentos, ajustes de jornada e espaços para acompanhamento das partidas.
Fonte: Folha SP

