Como o Brasil inspirou um dos mangás mais vendidos de todos os tempos

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Como o Brasil inspirou um dos mangás mais vendidos de todos os tempos

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O ano 2026 é especial para os fãs de Bleach. Vinte e cinco anos após o início do mangá e vinte e dois desde o lançamento do anime, a franquia chega ao fim, com a adaptação da parte final do último arco da saga, “A Guerra Sangrenta dos Mil Anos”.

O título é um dos mais bem-sucedidos da Weekly Shōnen Jump. Ao longo das décadas, foram mais de 130 milhões de cópias vendidas mundialmente. No Brasil, ele é publicado pela Panini.

Na obra, a Soul Society e o Mundo dos Vivos não devem se misturar. Entretanto, aqui, na vida real, alguns universos distantes se entrelaçaram: Bleach e arquitetura conversam muito mais do que você imagina!

Arquitetura de Bleach

Palácio de Las Noches no Hueco Mundo. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/Reprodução)

O autor, Tite Kubo, é um entusiasta de arquitetura. Em entrevistas, ele afirmou ter se inspirado em vários nomes e construções célebres para desenhar os prédios que aparecem no mangá.

Congresso Nacional (Marcelo Jorge Vieira/Wikimedia Commons)
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Kubo tem uma preferência pelo modernismo e brutalismo, ambos muito adequados para representar edifícios estéreis do Palácio de Las Noches, no Hueco Mundo, o deserto escuro habitado pelos monstros Hollows, e do Wandenreich, reino gélido e imponente, nação dos Quincys.

Sede do Wandenreich. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/Reprodução)

“Além de Louis Kahn e Oscar Niemeyer, que mencionei em uma pergunta anterior, eu gosto de arquitetura brutalista e fui ajudado, ou melhor, influenciado pelo Teatro Nacional da Inglaterra, pela Capela de Ronchamp, de Le Corbusier e pela Igreja da Santíssima Trindade, só para mencionar alguns. Adicionalmente, também gosto da residência de Luis Barragán”, afirma o mangaká em uma sessão de perguntas e respostas.

Igreja de Wotruba (Gunnar Klack/Wikimedia Commons)

Esses prédios têm o concreto como material principal e seguem a ideia de que a função precede a forma, ou seja, ornamentações são eliminadas.

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Colina Sōkyoku, na Soul Society. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/Reprodução)

Algumas das características desses movimentos da arquitetura são: a monumentalidade, a sobriedade de traços e o racionalismo construtivo.

Palácio da Alvorada. (Robotmensch/Wikimedia Commons)

Portanto, modernismo e brutalismo combinam bastante com a ideia de poder que precisa ser transmitida no universo de Bleach.

Cidadela Seireitei, na Soul Society. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/Reprodução)
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Veja abaixo, em detalhes, os prédios mencionados:

Teatro Nacional da Inglaterra

(Wars/Wikimedia Commons)

O Teatro Nacional da Inglaterra (Royal National Theatre) é um prédio de 1976, criado por Denys Lasdun, em Londres.

(Stevekeiretsu/Wikimedia Commons)

Em estilo brutalista, a construção tem uma volumetria impactante e fachadas em vidro bem recuadas, criando espaços sombreados que podem ser utilizados em diversas atividades culturais.

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Palácio de Las Noches, no Hueco Mundo. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/Reprodução)

Capela de Ronchamp

(Wladyslaw/Wikimedia Commons)

Uma das principais obras de Le Corbusier, a Capela Notre-Dame du Haut (Nossa Senhora das Alturas), data de 1955 e fica na cidade de Ronchamp, sudeste de Paris.

(Richard Hedrick/Unsplash)

O arquiteto concebeu uma capela feita em concreto e permeada por iluminação que vem de aberturas geométricas irregulares e das torres. Paredes robustas e linhas curvas criam uma estrutura que é ao mesmo tempo pesada e leve, permeada por luz.

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Palácio de Las Noches, no Hueco Mundo. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/Reprodução)

Igreja da Santíssima Trindade (Igreja de Wotruba)

(Anna Saini/Wikimedia Commons)

A Igreja de Wotruba foi criada pelo escultor Fritz Wotruba e pelo arquiteto Fritz G. Mayr, que completou a obra após a morte do artista em meados da década de 1970.

(Michael Pointner/Unsplash)

A construção, localizada em Liesing, Viena, é composta por 152 blocos de concreto dispostos de maneira abstrata e caótica, um exemplo da união entre artes plásticas e arquitetura.

Instituto Salk

(Codera23/Wikimedia Commons)

Estruturas simétricas de concreto, aço, vidro, chumbo e madeira separadas por um pátio vazio em mármore travertino com um curso de água no centro formam o Instituto Salk, assinado por Louis Kahn.

(Markus Krisetya/Unsplash)

O prédio de 1965 abriga laboratórios de pesquisas biológicas. Kahn preocupou-se em criar um projeto que pudesse ser atualizado conforme os avanços tecnológicos laboratoriais.

Palácio de Las Noches, no Hueco Mundo. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/ Viz Media/Reprodução)

Casa Estúdio de Luis Barragán

(Thomas-Ledl/Wikimedia Commons)

Localizada na Cidade do México e construída em 1948, a casa de Luis Barragán traduz e incorpora as características marcantes de sua obra.

(flickr/LrBln/Reprodução)

A fachada voltada para a rua é discreta, mas os interiores explodem em cor e jogos de luz.

(flickr/LrBln/Reprodução)

O arquiteto trabalha com maestria os espaços vazios e mistura o moderno com os elementos tradicionais mexicanos.

Palácio de Las Noches, no Hueco Mundo. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/ Viz Media/Reprodução)

Brasil em Bleach?

Ōetsu Nimaiya (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/Reprodução)

Sim! Essa conexão inusitada é fruto de uma admiração de Kubo por Oscar Niemeyer. Em sessões de perguntas e respostas, o autor diz que o Congresso Nacional de Brasília é um de seus prédios preferidos, junto do Instituto Salk, de Louis Kahn, que mencionamos acima. Kubo até criou um personagem cujo nome é baseado no arquiteto: o membro da Divisão Zero e criador das espadas zanpakutō, Ōetsu Nimaiya!

Personagens de Bleach e grandes arquitetos

Os dez Espadas de Bleach. (Shueisha/Weekly Shōnen Jump/Tite Kubo/Reprodução)

Niemeyer é o único arquiteto que foi homenageado como personagem shinigami, mas outro grupo de vilões da obra referencia diretamente uma porção de profissionais da arquitetura e do design: os Espadas e Arrancars. Kubo disse ter se inspirado em arquitetos e designers na hora de nomeá-los, fazendo versões com a pronúncia japonesa. Alguns são referências diretas e claras, já outras menos óbvias. Vale lembrar que alguns são meramente especulações e paralelos observados pelos fãs, já que o mangaká nunca revelou em quem se baseou para criar cada personagem especificamente.

Espadas

  • Coyote Starrk: nome inspirado no arquiteto e designer francês Philippe Starck.
  • Baraggan Louisenbairn: nome inspirado em Luis Barragán, arquiteto moderno mexicano.
  • Tier Halibel: nome inspirado em Harry Bertoia, artista ítalo-americano, escultor de arte sonora e designer de mobiliário moderno.
  • Ulquiorra Cifer: nome inspirado na arquiteta e designer espanhola Patricia Urquiola.
  • Nnoitra Gilga: nome inspirado em Richard Neutra, arquiteto austríaco moderno.
  • Grimmjow Jaegerjaquez: nome inspirado no arquiteto inglês Nicholas Grimshaw.
  • Szayelaporro Granz: nome inspirado no arquiteto espanhol Alejandro Zaera-Polo.
  • Aaroniero Arruruerie: nome inspirado em Eero Aarnio, designer finlandês.

Especulações:

  • Yammy Llargo: pode fazer referência a Hisila Yami, arquiteto e político do Nepal.
  • Zommari Rureaux: pode fazer referência a Claude-Nicolas Ledoux, arquiteto francês do século XVIII.
  • Nel Tu: pode fazer referência a Sheila O’Donnell e John Tuomey, arquitetos que costumam colaborar sob o nome de O’Donnell + Tuomey.

Fracciones

  • Pesshe: nome inspirado no arquiteto e designer italiano moderno Gaetano Pesce.
  • Luppi: nome baseado no designer e escritor Italo Lupi.
  • Gantenbein: nome inspirado no arquiteto suíço contemporâneo Christoph Gantenbein.
  • Dordonii: nome inspirado no designer italiano Rodolfo Dordoni.
  • Demoura: nome inspirado no arquiteto português Eduardo Souto de Moura
  • Iceringer: nome inspirado no designer alemão contemporâneo Werner Aisslinger.

Especulações:

  • Wonderwice Margera: pode fazer referência ao designer de produto contemporâneo Marcel Wanders.

 

Fonte: Abril, Tu Organizas

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