Climatério: veja os sintomas menos conhecidos

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Climatério: veja os sintomas menos conhecidos

Até bem pouco tempo atrás, as mulheres quase não falavam sobre climatério (perimenopausa) e menopausa. Havia poucas matérias sobre o tema na mídia, e o tema era desconhecido até por profissionais de saúde.

Com o envelhecimento da população, a mudança de mentalidade das mulheres, que cada vez mais passam a exigir o direito de envelhecer com qualidade de vida, e o aumento de estudos na área, essa fase vem sendo tratada com mais naturalidade.

Veja também: Menopausa: como o climatério pode trazer mais bem-estar

Temas antes considerados tabus, como ressecamento vaginal, fogachos e perda de libido, vêm sendo tratados abertamente por mulheres que entenderam que viverão quase um terço da vida na menopausa e que, portanto, não podem se dar ao luxo de ignorar as mudanças físicas e emocionais que essa fase impõe.

 

Síndrome do climatério

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) define a síndrome do climatério como “um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da interação entre fatores socioculturais, psicológicos e endócrinos que ocorrem na mulher que envelhece”. Seu diagnóstico é clínico nas mulheres com faixa etária esperada para a queda da função ovariana e do declínio da produção do estrogênio.

Já o termo “menopausa” se refere, ainda segundo a Febrasgo, à data do último episódio de sangramento menstrual apresentado pela mulher e sua definição é feita retrospectivamente.

Não há um número definido de sintomas que caracterizam a síndrome do climatério, mas algumas associações, como a Sociedade Norte-Americana da Menopausa, falam em mais de 35, que vão desde os mais óbvios, como a irregularidade menstrual, até outros menos conhecidos, como dor nas articulações.

Nem todas as mulheres apresentarão todos os sintomas, por isso é essencial que cada mulher se conheça e relate as alterações percebidas ao médico. Assim, o encaminhamento do cuidado pode ser feito de modo individualizado, com a participação da paciente.

 

Sintomas do climatério

Veja alguns sintomas menos conhecidos que podem surgir nessa fase da vida:

 

Dermatológicos

  • Pele seca: A queda do estrogênio está associada à diminuição da produção de colágeno, que mantém a pele hidratada e mais elástica.
  • Prurido na pele: A pele seca também fica mais propensa à coceira. Nessa fase, a barreira da pele também se regenera com mais lentidão, o que aumenta a coceira e a inflamação da pele.
  • Mudanças nos cabelos e nos pelos: Os cabelos e os pelos podem perder consistência e brilho nesse período, por causa da queda do estrogênio, que ajuda na densidade, textura e crescimento dos fios. Assim, podem surgir sinais como: queda de fios; afinamento e ressecamento dos fios; surgimento de pelos no queixo; menos pelos nos braços, pernas e região pubiana.
  • Unhas quebradiças: As flutuações hormonais podem influir na produção de queratina, a proteína responsável por manter a unhas fortes. Como resultado, elas podem ficar quebradiças, descamar ou lascar.
  • Acne: A produção de andrógenos, hormônios que, entre outras funções, estimulam a produção de óleo na pele, diminui mais lentamente que a de estrogênio, causando um desequilíbrio hormonal que pode intensificar a produção de óleo e, consequentemente, de acne.

Saúde mental

  • Depressão: Cerca de 20% a 30% das mulheres experimentam sintomas depressivos na menopausa, devido às oscilações hormonais características desse período. O risco é maior para quem tem histórico de depressão grave.
  • Ansiedade: As oscilações hormonais podem aumentar o risco do surgimento ou agravamento de sintomas ansiosos, levando cerca de 10% das mulheres a desenvolverem síndrome do pânico.

Sintomas gastrointestinais

  • Alterações nos hábitos intestinais: As oscilações hormonais podem causar sintomas digestivos, como diarreia e constipação, gases e sensação de estufamento.

 

Sintomas relacionados ao sono e à disposição

  • As oscilações hormonais “bagunçam” o ciclo circadiano, nosso relógio interno. Isso pode gerar ou agravar distúrbios do sono, como insônia e sono interrompido. Além disso, podem provocar suor noturno, o que atrapalha consideravelmente o repouso.
  • Fadiga: A queda do estrogênio pode provocar fadiga, um tipo de cansaço que compromete as atividades diárias e que piora com a privação do sono e sintomas como ansiedade.

Sintomas sensoriais

  • Dificuldade de concentração: Muitas mulheres no climatério relatam sintomas como dificuldade de manter a atenção, também devidos à oscilação dos hormônios femininos.
  • Perda de memória e névoa mental: Nessa fase, as mulheres podem esquecer palavras e fatos, levando a um estado conhecido como “névoa mental”. Isso também ocorre por conta na queda da produção dos hormônios, em especial do estrogênio.
  • Tontura
  • Formigamento nos pés e mãos (parestesia): Como o estrogênio desempenha uma função importante no sistema nervoso central, sua queda pode provocar a sensação de formigamento, dormência ou picadas nas mãos e nos pés.

Saúde cardíaca

  • Batimentos irregulares: Apesar de desagradáveis, a sensação de palpitação ou de batimentos irregulares, que atingem até 40% das mulheres nessa fase, não costuma trazer riscos à saúde.
  • Alteração nos níveis de colesterol: O estrogênio protege o coração e reduz o risco de eventos cardíacos. Com a menopausa, uma das alterações possíveis é o aumento do LDL, o colesterol ruim, e queda do HDL, o colesterol bom.

Outros sintomas

  • Olhos secos e alterações na visão;
  • Síndrome da boca ardente: sensação de formigamento, ardência ou queimação na boca, em especial na língua. Afeta cerca de 30% das mulheres;
  • Dor de cabeça;
  • Dor nas articulações;
  • Alterações urinárias: Urgência para urinar, incontinência, infecções urinárias e síndrome genitourinária da menopausa, caracterizada por ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual (dispareunia), aumento da frequência urinária e de infecções urinárias;
  • Perda de libido: A queda do estrogênio pode levar à diminuição da libido, que tende a se agravar se vier acompanhada de sintomas como ressecamento vaginal, dispareunia e outros sintomas genitourinários;
  • Osteoporose: O estrogênio protege os ossos. Com sua queda, os ossos se tornam mais frágeis. Estima-se que ocorra uma perda óssea de 10% a 20% nos cinco anos depois do início da menopausa, por isso é importante acompanhar a densidade óssea nessa fase.

Sintomas mais comuns

Os sintomas mais comuns da perimenopausa incluem:

  • Menstruações irregulares:
  • Fogachos;
  • Suor noturno;
  • Irritabilidade;
  • Mudança de humor;
  • Névoa mental;
  • Ressecamento vaginal;
  • Ganho de peso.

Menopausa não é doença

Como vimos, a menopausa pode provocar uma série de sintomas nem sempre facilmente identificáveis. Apesar de ser uma fase natural da vida, algumas mulheres podem ter sintomas muito desagradáveis no climatério e no início da menopausa.

Por isso, é muito importante que a mulher receba acompanhamento médico durante esse período, pois há intervenções médicas que funcionam melhor se indicadas no momento correto.



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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