Agrishow: marcas apresentam máquinas a etanol e biometano – 27/04/2026 – Economia

PUBLICIDADE

Agrishow: marcas apresentam máquinas a etanol e biometano - 27/04/2026 - Economia

Setor que se desenvolveu fortemente nas últimas décadas com o uso intenso de máquinas movidas a óleo diesel, o agronegócio chegou, em 2026, ao patamar mais alto da descarbonização nos últimos anos, com equipamentos que utilizam combustíveis menos poluentes e, ao mesmo tempo, mantêm o desempenho dos modelos tradicionais que precisam do derivado do petróleo.

O desafio para fabricantes com as máquinas movidas a tecnologias limpas é, também, reduzir futuros custos operacionais, já que o diesel e a gasolina acumulam altas expressivas após a deflagração da guerra no Irã.

O custo de importação da gasolina, por exemplo, subiu 61%, conforme estimativa da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

O diesel, porém, foi visto como uma questão mais emergencial no início da guerra porque 30% do consumo no Brasil é importado.

Fabricantes globais de máquinas agrícolas levarão nesta semana à Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), lançamentos que vão além dos tratores com combustíveis sustentáveis —já desejados desde o início da década por produtores rurais—, como colhedoras de cana e máquinas para construção.

A Case IH, da CNH, apresentará os recentes avanços em suas máquinas agrícolas movidas a etanol, como os testes de mais de 600 horas numa colhedora de duas linhas, que já colheu 20 mil toneladas de cana-de-açúcar, e o início dos testes em campo da colhedora de uma linha Austoft 9000.

Além delas, o trator movido a etanol Puma 230, apresentado na feira em 2025, passou por mais de 800 horas de rodagem no ciclo da cana desde então, e a partir do segundo semestre trabalhará no plantio de milho. Assim como ocorre com a cana, o milho é usado para produzir etanol, daí o foco em produzir uma máquina movida a etanol e que trabalhe para gerar mais etanol.

Desenvolvido no país, o projeto integra um plano global da empresa de reduzir emissões e incentivar o uso de combustíveis renováveis.

Já a Case Construction, marca de construção da CNH, apresentará pela primeira vez uma máquina movida pelo combustível alternativo, a pá carregadeira 721E, configurada para atuar com bagaço de cana e que iniciará em breve os testes de campo. Todas as máquinas usam motores Ciclo Otto –o mesmo dos carros flex.

A Valtra, da Agco, por sua vez, apresentará um motor movido a biometano, que foi testado em lavouras com cana e grãos. Ele tem como foco nichos, como usinas que produzem o próprio combustível a partir de resíduos, conforme o diretor de marketing da marca, Fabio Dotto.

O motor, de acordo com ele, também entrega performance semelhante ao diesel. “Com mesma curva de torque e potência dos motores a diesel equivalentes, o produtor não perde desempenho, capacidade de tração ou produtividade”, afirmou.

O equipamento será apresentado numa faixa de potência de até 250 cv, para transbordo e plantio em usinas de açúcar e etanol e grãos.

O biometano transforma resíduos orgânicos em energia limpa, contribuindo para reduzir emissões e, ao mesmo tempo, aproveitar de forma sustentável subprodutos do campo.

O tema ganhou força em Ribeirão Preto conforme a Agrishow se aproximava. No último dia 15, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu na cidade a adoção de tecnologias mais sustentáveis no campo.

“Hoje nós temos oito usinas colocando biometano no grid, temos mais nove habilitadas. Em muito pouco tempo a gente vai chegar numa produção de um milhão de metros cúbicos, capacidade instalada de um milhão de metros cúbicos/dia. A gente consome 14 milhões no estado e, com algum investimento a gente pode chegar rapidamente a 6,5 [milhões]”, disse, durante o Cana Summit, evento do setor sucroenergético promovido pela Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil).

Na New Holland, outra marca no guarda-chuva da CNH, o trator T6. 180 Methane Power, que já está disponível ao mercado, utiliza a tecnologia de propulsão por biometano e reduz até 80% das emissões de poluentes regulados e de 84% de CO2 em comparação com motores a diesel.

Ele é um dos exemplos de como não basta apenas a vontade de fabricantes e compradores para que a máquina chegue ao mercado. Foram feitos cinco anos de testes, desde 2017, até que o modelo fosse apresentado, em 2022.

O combustível usado é processado a partir de dejetos de animais e rejeitos agrícolas, o que reduz custos para os produtores. Com 180 cv, o modelo teve como primeira compradora a SF Agropecuária, em Brasilândia (MS), que fez uma série de investimentos na fazenda para permitir a geração do biometano a partir das fezes de suínos.

À época do lançamento, o trator custava 40% mais que os modelos convencionais a diesel, mas o sistema se paga, conforme a empresa agrícola. Segundo a fabricante, o T6.180 permite reduzir até 40% os custos com combustíveis, sem perder desempenho e autonomia.

TRATORES A ETANOL

Na John Deere, os visitantes da Agrishow encontrarão entre os mais de 20 produtos e inovações um trator movido a etanol, o protótipo 8R. Após serem apresentados em março na Casa John Deere, em Campinas, no maior evento de lançamentos da história da companhia no país, ele agora será visto pelos quase 200 mil visitantes previstos para a feira agrícola.

“É um exemplo claro de como o Brasil impulsiona soluções que poderão ser replicadas no mundo todo, promovendo uma agricultura mais eficiente e ainda mais competitiva. Algo muito importante precisa ser reconhecido. O Brasil não apenas utiliza a tecnologia agrícola de ponta, o Brasil está criando essa tecnologia”, disse Cristiano Correia, vice-presidente de sistemas de produção para a América Latina e vice-presidente global de cana-de-açúcar da empresa.

A exemplo do que ocorre com outras marcas, o objetivo do protótipo é apresentar redução de emissões de CO2 e de custos com combustíveis, mantendo desempenho similar ao do movido a diesel, com foco em cana e grãos.

“Hoje o Brasil não só tem uma produção exemplar para o mundo, mas também produz energia renovável. Tem um papel importante no sistema de descarbonização para o mundo. E de forma sustentável”, disse Alfredo Miguel Neto, diretor de assuntos corporativos e comunicações para a América Latina.

A Massey Ferguson vai apresentar na feira agrícola pela primeira vez um motor movido a etanol, desenvolvido integralmente no país pela engenharia da Agco –que engloba também Fendt e Valtra.

A solução foi amplamente testada em campo, principalmente em cana, além de grãos, segundo Breno Cavalcanti, diretor de marketing da empresa.

“A solução já está pronta, testada e com resultados consistentes, sendo esse o passo mais relevante de todo o processo de desenvolvimento. A apresentação ao mercado vem de um planejamento de três anos, entre concepção e testes de campo. A expectativa é que, nos próximos anos, avancemos para o lançamento comercial da linha de motores a etanol”, disse.

Segundo ele, durante o período de testes houve conexão contínua com usinas clientes e parceiras.

“O cenário atual de alta do diesel potencializa o interesse do cliente que já existia por soluções de biocombustível. O aumento do preço do diesel impacta diretamente o custo de produção no campo e a tecnologia embarcada nas máquinas agrícolas tem um papel fundamental nesse cenário, ajudando o produtor a fazer mais com menos combustível.”

Cavalcanti afirmou que o motor a etanol apresentou performance semelhante ao do modelo movido a diesel e que o combustível derivado da cana tem potencial de reduzir as emissões de CO2 equivalente em até 90%, conforme o processo produtivo.

“Por ser um combustível renovável, ele atua em um ciclo fechado de carbono, onde o CO2 emitido pela máquina é parcialmente compensado pela absorção durante o crescimento da cultura, como a cana.”

Fonte: Folha SP

Mais recentes

PUBLICIDADE

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com