A Opep+ aprovou neste domingo (7) um novo aumento nas metas de produção de petróleo, em meio à crise provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã e às restrições de fluxo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o abastecimento global da commodity.
Sete países da aliança — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — decidiram elevar seus limites de produção em 188 mil barris por dia a partir de julho de 2026. Será o quarto aumento seguido nas cotas em quatro meses, embora a capacidade efetiva de ampliar a oferta siga limitada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A decisão faz parte do processo de devolução gradual e parcial dos cortes voluntários adicionais adotados originalmente em abril de 2023. Desde abril, os principais membros da Opep+ já haviam ampliado suas cotas em quase 600 mil barris por dia.
Aumento no papel, oferta menor na prática
Apesar do avanço nas metas, a produção real do grupo recuou fortemente nos últimos meses. Segundo números da própria Opep, a produção média caiu para 33,19 milhões de barris por dia em abril, ante 42,77 milhões de barris por dia em fevereiro.
A queda reflete principalmente as restrições nas exportações dos países do Golfo, afetadas pela crise no Estreito de Ormuz. O canal, essencial para o transporte global de petróleo, teve seus fluxos reduzidos desde o início da guerra entre EUA e Irã, agravando o temor de uma crise de abastecimento.
Na prática, isso significa que o aumento das cotas pode ter efeito limitado enquanto a logística de escoamento seguir comprometida. “Um aumento de produção da Opep+ significa muito pouco enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado”, afirmou Jorge Leon, analista da Rystad e ex-funcionário da Opep.
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Risco pode virar de escassez para excesso
O mercado acompanha a decisão com cautela porque o cenário pode mudar rapidamente caso o Estreito de Ormuz seja reaberto. Para Leon, a normalização da rota poderia transformar o humor dos investidores de forma brusca.
“Quando o Estreito de Ormuz for reaberto, o mercado poderá passar muito rapidamente do medo da escassez para o medo do excedente”, disse o analista.
Esse é o ponto central para os preços do petróleo: enquanto a guerra limita a oferta física, o mercado teme desabastecimento; mas, se a circulação for restabelecida e as cotas maiores forem mantidas, a percepção pode migrar para o risco de excesso de oferta.
Saída dos Emirados muda cálculo da Opep+
O aumento aprovado para julho é o mesmo definido para junho, de 188 mil barris por dia. O valor ficou abaixo dos avanços mensais de 206 mil barris por dia registrados em abril e maio, ajuste feito após a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep.
A saída dos Emirados, após quase 60 anos na organização, agravou a crise interna do grupo e obrigou a aliança a recalibrar os aumentos mensais nas metas de produção.
Mesmo assim, os países participantes afirmaram que manterão uma abordagem cautelosa e flexível. O grupo diz que poderá elevar, pausar ou reverter a retirada dos cortes conforme as condições de oferta e demanda no mercado internacional.
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Compensações vão até dezembro de 2026
Além do aumento nas cotas, os países reafirmaram o compromisso de compensar volumes produzidos acima dos limites permitidos desde janeiro de 2024. O prazo para essa compensação foi estendido até o fim de dezembro de 2026.
A aliança afirmou que busca “conformidade absoluta” com os termos da Declaração de Cooperação e que pretende compensar integralmente todo o petróleo extraído acima das cotas.
O acompanhamento das metas continuará sob responsabilidade do Comitê Monitor Ministerial Conjunto (JMMC), que seguirá avaliando tanto o cumprimento dos limites de produção quanto as condições do mercado e o nível das reservas remanescentes.
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Petróleo segue acima do nível pré-guerra
Na sexta-feira, os preços do petróleo caíram para cerca de US$ 93 por barril, com operadores avaliando que um novo conflito entre Estados Unidos e Irã estaria ficando menos provável. Ainda assim, a commodity permanece bem acima dos cerca de US$ 72 por barril registrados antes do início da guerra.
Os representantes do grupo passarão a realizar reuniões mensais para acompanhar a evolução do mercado, das cotas e das compensações. O próximo encontro oficial está previsto para 5 de julho de 2026.
(Com Estadão Conteúdo e Reuters)
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