Sob a pressão da guerra no Oriente Médio, a companhia aérea Latam cortará 3% de sua oferta de assentos no mês que vem e espera um impacto extra de US$ 700 milhões (R$ 3,4 bilhões na cotação atual) em gastos com combustível de aviação de abril a junho. As informações foram divulgadas pela empresa ontem à noite.
A redução de voos está diretamente ligada ao custo do querosene, que foi reajustado três vezes seguidas pela Petrobras – o acúmulo é de quase 100%. Cerca de 80% do combustível de aviação usado no Brasil é produzido internamente, mas os preços seguem a paridade internacional.
O querosene é um dos maiores custos operacionais das companhias aéreas. Em condições gerais, representa cerca de 30% dos gastos, mas o avanço nos preços do produto já elevou essa fatia para pelo menos 45%, segundo estimativa da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear).
A Latam não disse quais rotas serão afetadas no próximo mês, e ainda está avaliando quantos voos serão cancelados de julho em diante. Com a oferta menor para uma demanda estável e o preço de combustível, a tendência é que as passagens fiquem ainda mais caras. Ou seja, o viajante é quem vai pagar a conta.
Em março, a tarifa média da Latam ficou em R$ 733,05, avanço de 10% sobre fevereiro deste ano e de 19,3% sobre março do ano passado – acima da média do mercado brasileiro.
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Como o preço do combustível afeta a Latam?
Somente em março, o impacto do aumento no preço do combustível nas operações da Latam chegou a aproximadamente US$ 40 milhões. Foi o primeiro mês da guerra no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo, reduziu a oferta global da commodity e fez o custo por barril passar de US$ 100 – estava abaixo de US$ 70 antes do conflito.
Segundo a companhia, os custos com o produto aumentaram 6,5% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionados por um aumento de 10,1% no consumo “associado à expansão das operações”.
Os números do trimestre escapam de uma figura mais negativa porque a guerra começou no último dia de fevereiro. Os custos também não estão totalmente refletidos devido “à defasagem de preços causada pelas estruturas de fornecimento regionais, que normalmente resultam em um atraso de 20 a 30 dias entre os preços de mercado e os preços pagos pela Latam”, disse a empresa.
Outro fator importante está no hedge, um tipo de contrato futuro em que as empresas compram combustível antecipadamente e a preços mais atrativos, o que ajuda a aliviar a pressão sobre os gastos com o produto. De maneira geral, traz mais estabilidade em um cenário de volatilidade de preços.
“O preço do combustível aumentou acentuadamente em comparação com o início do ano, chegando a mais que dobrar em alguns momentos. No entanto, devido ao momento do consumo de combustível, aos mecanismos de defasagem de preços e às operações de hedge parciais, esse aumento não se reflete materialmente nos resultados do primeiro trimestre”, afirmou a companhia.
A Latam pratica o hedge apenas em parte de seu consumo de combustível, com base na curva de reservas de passagens, e gerencia a exposição aos preços do produto para os próximos 12 meses. Por conta dos valores elevados do querosene e tentando se proteger de novos aumentos, a Latam afirma que ampliou o hedge para o segundo e o terceiro trimestres de 2026.
Latam prevê alívio no preço dos combustíveis somente no fim do ano
A visão da Latam sugere que os passageiros vão sofrer pelo menos até o fim do ano. O impacto de US$ 700 milhões previsto para este segundo trimestre considera um preço estimado do QAV de US$ 170 por barril – as estimativas anteriores da empresa levavam em conta um custo de US$ 90 por barril, um acréscimo de quase 90%.
Para o terceiro trimestre (julho a setembro), a Latam segue projetando o preço de US$ 170 o barril. O arrefecimento pode acontecer somente no último trimestre, quando o valor do combustível pode recuar para US$ 150, muito acima, porém, do que estava projetado no início do ano.
Esse cenário pode mudar nas próximas semanas, especialmente se considerarmos que Estados Unidos e Irã podem anunciar, a qualquer momento, um acordo que coloca um ponto final na guerra no Oriente Médio. Segundo a agência de notícias Reuters, os países estão trabalhando em um memorando.
Mesmo assim, a redução esperada nos preços do petróleo ainda pode demorar a chegar para as companhias aéreas e para os passageiros. A Equinor, empresa de energia da Noruega, disse hoje que espera que os problemas no mercado global de óleo e gás continuem por pelo menos seis meses em razão da guerra.
Em nota, a Latam comentou a medida:
“A LATAM Airlines Brasil esclarece que prevê atualmente para junho de 2026 um crescimento de 8% na sua capacidade doméstica medida em ASK (Assentos-Quilômetros Oferecidos) na comparação com junho de 2025. Trata-se de uma redução pontual de 3% no crescimento originalmente planejado para o mês.”
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Fonte: Viajali, Melhores Destinos

