Pentavalente, tríplice viral, tetraviral, tríplice bacteriana… Você já se perguntou como funcionam as vacinas que protegem contra várias doenças de uma vez só?
As chamadas vacinas combinadas são aquelas que protegem contra mais de uma doença em uma única aplicação, reduzindo o número de injeções e facilitando o cumprimento do calendário vacinal. A pentavalente, por exemplo, protege contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae tipo b e hepatite B. Já a tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
“Elas são super importantes. Foi assim que a gente eliminou o sarampo e a rubéola: vacinando em grandes campanhas. Imagina ter que fazer duas campanhas ou duas aplicações em cada pessoa? Além do custo, tem o conforto e a adesão do paciente”, explica Isabella Ballali, pediatra e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Como funcionam?
Uma vez que a vacina combinada entra no organismo, o sistema imunológico responde separadamente a cada um dos componentes antigênicos da sua formulação. Isso não significa que o sistema imune ficará sobrecarregado, já que a quantidade desses componentes não é suficiente para provocar doença. O corpo corre mais risco ao sairmos na rua, respirarmos em ambientes fechados ou darmos a mão para outras pessoas do que ao receber uma vacina.
“Combinar demanda ciência. Não é juntar vacinas em uma mesma seringa e aplicar. Para cada vacina combinada, há um estudo específico. E qual é a orientação da Organização Mundial de Saúde? A vacina combinada deve manter a eficácia de cada um dos seus componentes. No caso da tríplice viral, por exemplo, a eficácia tem que ser a mesma que a das vacinas separadas para o sarampo, para a caxumba e para a rubéola”, destaca a pediatra.
Veja também: O que fazer quando alguém próximo não quer se vacinar?
Benefícios para a saúde pública e individual
Já que a eficácia é a mesma, por que fazer uma vacina combinada no lugar das vacinas separadas que já existem? A resposta está na otimização dos custos de produção, do uso do espaço nas câmaras frias de armazenamento, da adesão da população, entre vários outros benefícios.
“Em uma criança, se a gente for fazer todas as vacinas separadas, serão muitas picadas. As vacinas combinadas permitem que a gente tenha um calendário cada vez mais rico, sem aumentar o número de aplicações e de visitas. E visita consiste em a mãe ou o pai ter que faltar ao trabalho para levar o filho ao posto de saúde. Então, é também uma questão de acesso”, elenca Ballalai.
Além disso, ao contrário do que muita gente acredita, a pessoa imunizada com uma vacina combinada tem menos risco de apresentar efeitos adversos. Os sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, costumam ocorrer em taxas semelhantes às das vacinas separadas; no entanto, o menor número de injeções diminui a possibilidade de surgirem reações locais, como dor, vermelhidão e inchaço no lugar da aplicação.

