22/04/2026
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Feliz Dia da Terra, 22 de Abril – um apelo global para agir e proteger o nosso planeta. Na Agência Espacial Europeia, essa acção começa em órbita, onde os satélites fornecem uma visão global contínua da Terra e acompanham as alterações ambientais. Trabalhando com parceiros, a ESA transforma este fluxo de dados em informações acionáveis, ajudando os governos e as comunidades a responder de forma mais rápida e eficaz aos riscos provocados pelo clima.
Aqui estão dois exemplos de como a tecnologia espacial está a ser usada para antecipar ameaças para salvaguardar a segurança alimentar e a saúde pública.
Usando dados de satélite para evitar enxames de gafanhotos
Os surtos de gafanhotos do deserto representam uma grave ameaça à segurança alimentar em toda a África Oriental, com enxames capazes de devastar colheitas em poucas horas. Hoje, a observação da Terra por satélite está a mudar isso – permitindo às autoridades detectar riscos precocemente, prever as condições de reprodução e agir antes que os enxames levantem voo.
A velocidade é tudo. O controle mais eficaz tem como alvo os juvenis sem asas, conhecidos como hoppers, antes de voarem. Contudo, os levantamentos terrestres tradicionais são lentos, trabalhosos e muitas vezes limitados por terrenos remotos ou inseguros, permitindo o aumento dos surtos.
Como parte do seu compromisso com a Earth Action, a ESA está a ajudar a resolver esta questão através do seu programa FutureEO, tendo co-desenvolvido um sistema de alerta e previsão precoce baseado na observação da Terra com a VITO Remote Sensing, a Autoridade Intergovernamental de Desenvolvimento (IGAD) e o Banco Mundial.
Mapa de probabilidade de surto de gafanhotos
Alimentado por dados de satélite Copernicus Sentinel e fornecido através da plataforma East Africa Hazards Watch, fornece alertas regionais específicos a cada 10 dias – ajudando as autoridades a dar prioridade às intervenções e a apoiar os agricultores que enfrentam perdas de colheitas.
Os resultados são impressionantes. Os surtos são agora menos graves e as ações específicas reduziram drasticamente o uso de inseticidas – reduzindo custos e danos ambientais. Na Etiópia, o consumo anual caiu para cerca de 6.000 litros, em comparação com mais de 1,1 milhões de litros durante os grandes surtos entre 2019 e 2021.
Imagens de alta resolução do Copernicus Sentinel-2 e do projecto WorldCover da ESA mapeiam o crescimento da vegetação e os danos nas colheitas, apoiando reclamações de seguros, enquanto a cobertura quase diária do Copernicus Sentinel-3 rastreia as rápidas mudanças na vegetação ligadas às chuvas – um dos principais impulsionadores da reprodução de gafanhotos.
No centro está o MaxEnt, um modelo estatístico desenvolvido pela VITO que identifica prováveis zonas de reprodução e janelas de postura de ovos, combinando dados de solo, elevação e clima.
Construído com base em dados e software abertos, o sistema está disponível gratuitamente – e está a revelar-se uma ferramenta poderosa na proteção de regiões vulneráveis contra surtos de pragas provocados pelo clima.
Ferramenta de alerta precoce ajuda a combater doenças transmitidas por mosquitos
À medida que as alterações climáticas aceleram a propagação de doenças transmitidas por mosquitos, os sistemas de alerta precoce baseados em satélites estão a dar às autoridades de saúde uma vantagem crítica. Ao fundir dados de observação da Terra com aprendizagem automática, a ESA e a UNICEF desenvolveram uma plataforma digital que ajuda os países a prever, preparar-se e responder a surtos de dengue e malária semanas antes de estes aumentarem.
A necessidade é urgente. A dengue por si só coloca em risco cerca de metade da população mundial, com uma estimativa de 100 a 400 milhões de infecções a cada ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. Com uma melhor previsão, os países podem agir mais cedo – reduzindo as doenças e as mortes e, ao mesmo tempo, aliviando a pressão sobre os sistemas de saúde já sobrecarregados, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
No centro deste esforço está o Estimador de Incidência e Recursos de Doenças (DIRE), desenvolvido pelo laboratório Φ da ESA para a UNICEF. O DIRE combina aprendizagem automática com dados ambientais derivados de satélite para modelar como o clima e a geografia influenciam a transmissão de doenças e prever epidemias de doenças iminentes.
Mapa de risco da dengue
Ao transformar dados complexos sobre clima e saúde em mapas visuais de risco e orientações práticas, o DIRE ajuda as autoridades de saúde a identificar precocemente áreas de alto risco, preparar clínicas, mobilizar pessoal e direcionar vacinas e recursos de fumigação onde terão maior impacto.
Pilotos no Brasil e no Peru – ambos fortemente afetados pela dengue – mostram que o modelo supera os métodos de previsão anteriores. A abordagem foi reconhecida como uma das principais iniciativas de investigação da UNICEF em 2022 e nomeada entre as 100 principais soluções de IA da UNESCO que apoiam os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
Ao transformar os dados de satélite em ações precoces e direcionadas, o DIRE demonstra como a tecnologia espacial e a inteligência artificial já estão a ajudar a proteger a saúde pública e a salvar vidas no terreno.
Ação da Terra
Desde a salvaguarda das colheitas até ao reforço da saúde pública, estes exemplos mostram como os dados provenientes do espaço já não servem apenas para observar mudanças – tratam-se de impulsionar ações oportunas e direcionadas no terreno.
À medida que a crise climática se intensifica, a capacidade de antecipar riscos e responder precocemente é fundamental para construir resiliência em todo o mundo. Ao combinar tecnologia de satélite de ponta com parcerias fortes e dados abertos, a ESA está a ajudar a transformar a visão em impacto – capacitando as comunidades não apenas para reagirem a um planeta em mudança, mas para se manterem um passo à frente.
A Diretora de Programas de Observação da Terra da ESA, Simonetta Cheli, disse: “Neste Dia da Terra, somos lembrados de que evidências sólidas são a base de uma ação eficaz para proteger o nosso planeta. A ESA continuará a observar a Terra, a reforçar a compreensão científica e a garantir que o conhecimento baseado no espaço informa a política, a resiliência e a sustentabilidade para o benefício da sociedade”.

