Quando um casal planeja uma gravidez, é comum que a atenção se volte para a mulher que irá gestar. De fato, existem recomendações específicas para elas nessa fase, como exames, vacinas e suplementação. No entanto, o homem também tem papel importante na concepção — e ele não deve ser ignorado.
“Antes da concepção, é importante lembrar que o homem deve fazer uma avaliação de saúde; a saúde masculina também influencia tanto a chance de gravidez quanto a segurança do casal”, afirma Filipe Tenório, urologista e coordenador da disciplina de reprodução humana da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Primeiros cuidados
Segundo Tenório, um dos primeiros cuidados é avaliar infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, HIV e hepatites. “Isso é especialmente importante porque, quando o casal começa a tentar engravidar, muitas vezes deixa de usar preservativo. Então, se houver alguma infecção não diagnosticada, existe risco de transmissão para a parceira.”
Além disso, alguns homens precisam de uma avaliação mais específica antes mesmo de começar as tentativas. O especialista diz que essa recomendação vale para quem já tentou engravidar uma parceira no passado e não conseguiu, tem histórico de varicocele, cirurgia ou trauma nos testículos, criptorquidia, torção testicular, quimioterapia, radioterapia, alterações no desenvolvimento dos órgãos genitais ou uso prévio de anabolizantes.
“Nesses casos, a avaliação pode incluir exame físico com urologista, espermograma e, dependendo da situação, exames hormonais.”
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Hábitos de vida fazem a diferença
Os hábitos do dia a dia têm impacto direto na produção e na qualidade dos espermatozoides. Enquanto alguns precisam ser reforçados, outros devem ser abandonados. O tabagismo é um deles — e não falamos somente do cigarro convencional.
“O vape, o cigarro eletrônico e a cannabis também podem prejudicar a fertilidade masculina. Hoje sabemos que o vape não é uma alternativa segura para quem está pensando em fertilidade, e a maconha pode ter um impacto ainda mais importante na função dos espermatozoides”, alerta o urologista.
O consumo de álcool também precisa ser moderado. O ideal, segundo o médico, é evitar consumo excessivo, principalmente mais de quatro ou cinco doses em um único dia. “Como referência prática, o homem deve tentar não ultrapassar 14 doses de álcool por semana. Quanto menor o consumo nesse período de tentativa de gravidez, melhor.”
Além disso, hábitos saudáveis, como manter peso adequado, praticar exercícios físicos, dormir bem e controlar doenças como diabetes e hipertensão ajudam na saúde reprodutiva.
E a suplementação?
Para os homens, não existe uma recomendação universal de suplemento ou vitamina obrigatória antes da concepção (como no caso do ácido fólico para as mulheres). O que realmente faz diferença, de acordo com o especialista, é manter hábitos saudáveis.
“Uma alimentação equilibrada, com duas a três porções de frutas por dia, uma a duas porções de verduras e legumes, boa ingestão de proteínas e menor consumo de ultraprocessados, ajuda bastante na saúde geral e também na saúde reprodutiva”, recomenda.
Em relação às proteínas, de forma geral, ele diz que é interessante priorizar peixe, ovos e frango, e evitar o consumo excessivo de carne vermelha.
Uso de substâncias e medicamentos
Muitos homens utilizam testosterona e anabolizantes por estética, ganho de massa muscular ou performance, frequentemente sem orientação médica.
“O problema é que a testosterona de fora do corpo reduz a produção natural de espermatozoides e pode causar uma queda importante da fertilidade, às vezes chegando à ausência de espermatozoides no ejaculado”, destaca Tenório.
Por isso, se o homem usa testosterona ou anabolizantes e deseja ter filhos, a orientação é se consultar com um urologista. “Não é simplesmente parar por conta própria; o ideal é fazer isso com orientação médica”, recomenda ele.
Outro ponto de atenção são as medicações para calvície, como finasterida e dutasterida, que em alguns homens podem interferir na função sexual ou na fertilidade. “Se o casal está tentando engravidar, é importante conversar com o médico sobre isso”, completa.
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