Por que as crises de enxaqueca podem aumentar no calor?

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Por que as crises de enxaqueca podem aumentar no calor?

Para quem convive com enxaqueca, as altas temperaturas podem ser mais um fator de risco para a dor se manifestar. Nos dias quentes, as crises de dor de cabeça tendem a ser frequentes, principalmente em pessoas que não estão com a doença bem controlada. 

“Como essa é uma doença neurológica crônica, que torna o cérebro mais sensível a estímulos ambientais, no verão essa sensibilidade é colocada à prova por uma combinação de fatores típicos da estação, como calor intenso, exposição solar, alterações bruscas de temperatura e maior risco de desidratação”, afirma Tiago de Paula, neurologista especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC).

 

Qual a relação? 

Segundo o médico, o calor funciona como mais um gatilho, já que pacientes com enxaqueca têm sensibilidade térmica aumentada, o que significa que tanto o calor intenso quanto as mudanças rápidas de temperatura podem favorecer o surgimento de crises. 

Além disso, ele diz que muitos também apresentam disautonomia, ou seja, uma dificuldade do sistema nervoso em regular funções automáticas do corpo. “Isso faz com que, em dias muito quentes, a pressão arterial possa cair mais do que o esperado, favorecendo tontura, mal-estar, desmaios e o aparecimento das crises”, esclarece. 

Outro ponto importante é a desidratação. No calor, o corpo transpira mais para regular a temperatura, o que leva à perda de líquidos. Se a pessoa não se hidrata o suficiente, a pressão arterial cai e o cérebro fica mais vulnerável ao problema. 

De maneira resumida, as altas temperaturas provocam um estresse metabólico no organismo. 

“Não se pode dizer que o calor age diretamente no cérebro de forma isolada. O que ocorre é um conjunto de alterações fisiológicas, como desidratação, dilatação dos vasos sanguíneos e estresse metabólico, que torna o cérebro mais sensível e suscetível à dor”, destaca de Paula. 

Veja também: Quando a dor de cabeça é sinal de enxaqueca? Entenda

 

Cuidados simples ajudam na prevenção

Medidas simples reduzem o risco de crises nos dias mais quentes. Veja as principais: 

  • Beber água suficiente ao longo do dia (o ideal é que a urina esteja clara); 
  • Evitar exposição solar nos horários de picos (geralmente entre 10h e 16h);
  • Usar chapéu, boné e óculos escuros para se proteger do sol;
  • Buscar ambientes mais frescos;
  • Evitar variações bruscas de temperatura quando possível. 

“Essas estratégias ajudam a reduzir o estresse do organismo e, consequentemente, a chance de crises. Mas é fundamental entender que tratar a enxaqueca é o mais importante. Quando a doença está bem controlada, o paciente se torna menos sensível aos gatilhos, inclusive aos relacionados à temperatura”, alerta o neurologista. 

O tratamento normalmente combina medicamentos, ajustes no estilo de vida e acompanhamento médico contínuo. “Dessa forma, é possível não apenas reduzir as crises, mas também evitar impactos mais amplos da doença, como alterações no sono, dificuldades cognitivas e perda significativa de qualidade de vida.” 

 

O que fazer para aliviar a dor?

Durante a crise, o especialista diz que o ideal é buscar estratégias não farmacológicas para alívio da dor, como aplicar compressa gelada; sair do ambiente estressor; beber água; deitar-se; ir para um ambiente calmo, silencioso e tranquilo; fazer respiração diafragmática; e fazer meditação (se souber fazer ou já estiver na sua rotina). 

Isso porque o uso excessivo de analgésicos pode levar ao efeito rebote. 

“Quando você usa remédios analgésicos e anti-inflamatórios com frequência, facilmente você entra na cefaleia por uso excessivo de medicamentos e daí quanto mais analgésicos você toma, menos eles funcionam e mais dor você tem”, enfatiza. 

 

Quando consultar um neurologista

Três é demais. Essa é a mensagem de uma campanha da Sociedade Brasileira de Cefaleia. “Se você teve três crises no mês, já tem necessidade de procurar um neurologista para tratar a doença, para evitar que essas crises progridam e para entender melhor o que está acontecendo”, orienta de Paula. 

Muitas vezes, relata o médico, o paciente acredita que crise de enxaqueca é somente aquela dor horrível, muito intensa e que o deixa na cama, sendo que ele já vinha tendo crises moderadas anteriormente e seguia achando que aquilo era normal. Não é. 

Também é comum que o indivíduo só chegue ao consultório quando já está tomando vários remédios para dor e eles não fazem mais efeito, ou seja, ele desenvolveu cefaleia por uso excessivo de medicamentos. 

Por isso, é importante buscar avaliação médica o quanto antes. Além da frequência de episódios, deve-se observar se há mudança no padrão da dor. “‘Minha dor era levinha, desse jeito, agora ficou diferente’. Quando isso acontece, também tem que procurar um neurologista, principalmente para investigar cefaleia secundária”, explica. Outros sinais que merecem atenção são alterações visuais, fraqueza e confusão mental. 

Veja também: O uso diário de medicamentos para dor de cabeça pode causar enxaqueca?



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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