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Terrenos irregulares, em geral, são vistos como desafios. Mas também podem dar origem a soluções instigantes, especialmente em projetos residenciais. Esta casa, situada em uma rua sem saída, de um lote semicircular, na cidade de Campo Grande, teve como ponto de partida a orientação solar na região.
Assinada pelo arquiteto Gil de Camillo, a residência nasce de uma inversão na lógica convencional de implantação: em vez de reservar o fundo do terreno para o lazer, a área social e de convivência foi trazida para a frente, aproveitando o sol nascente e protegendo a varanda do calor intenso das tardes na cidade. Enquanto as áreas privativas e de serviço ficaram na parte posterior.
Assim, varanda, churrasqueira, deck e piscina ocupam posição de protagonismo, integrando-se visualmente à rua e à chegada da casa.
Mais do que um espaço de descanso e convivência ao ar livre, a piscina assume um papel estruturador. Seu espelho d’água envolve boa parte da edificação, conecta-se ao acesso principal e se desdobra em diferentes relações com os ambientes internos e externos.
Ao mesmo tempo, contribui para a ventilação, amplia a entrada de luz natural e reforça a sensação de continuidade entre interior e exterior.
“A entrada da casa intercepta o espelho d’água e, para acessar o deck, o visitante atravessa uma passagem feita de pedras sobre a lâmina d’água, semelhantes às travessias de um rio. Ou seja, a chegada já acontece pelo universo da piscina, que envolve parte da edificação”, revela Gil de Camillo.
Do ponto de vista funcional, a organização interna também responde a essa lógica de eficiência e convivência. As áreas de serviço foram reunidas em torno de um pátio central, otimizando fluxos e liberando os espaços sociais para se abrirem ao lazer.
Na volumetria, o destaque fica para o patamar da escada, que se projeta sobre a piscina como um mirante, protegido por uma cobertura em ACM que extrapola o corpo principal da casa e reforça a imponência da fachada.
Na fachada sul e nos interiores, grandes aberturas de vidro laminado garantem iluminação e ventilação naturais, ao mesmo tempo em que consolidam a identidade contemporânea da residência.
O projeto de design, também desenvolvido pelo escritório, adota mobiliário e obras de arte que reforçam a linguagem arquitetônica definida para a edificação, criando continuidade entre a identidade interna e externa da casa.
Essa integração, somada ao cuidado em traduzir hábitos locais – como o protagonismo da varanda e do lazer –, faz o projeto dialogar com o território e com a forma de viver de Campo Grande.
Fonte: Abril, Tu Organizas

