O que fazer quando alguém próximo não quer se vacinar?

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O que fazer quando alguém próximo não quer se vacinar?

Você conhece alguém que atrasa, fica em dúvida ou se recusa a tomar vacina? Isso faz parte da hesitação vacinal, um comportamento que pode estar sendo propagado por algum dos seus amigos, familiares ou colegas de trabalho. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2015 e 2021, os índices de cobertura vacinal no Brasil caíram de 97% para 75%, colocando em risco não só a saúde de quem hesita, mas de toda a população. Ainda que a ciência seja clara sobre o porquê de nos vacinar, a conversa com quem está em dúvida pode ser complicada.

Por onde começar?

Confrontar, desmentir, interromper ou despejar um monte de informações técnicas não ajudam a mudar o pensamento de ninguém. Para que isso aconteça, o diálogo exige respeito e algumas etapas importantes:

  1. Escute sem julgamentos: ao falar com quem está em dúvida sobre as vacinas, é preciso se despir do cansaço, do estresse e do fato de já ter ouvido aquela fake news várias vezes, mesmo que ela pareça absurda. Comece com perguntas abertas para coletar o máximo de informações sobre a dúvida da pessoa.
  2. Entenda a causa: a partir daí, você começa a buscar o que está provocando a hesitação. É uma baixa percepção de risco da doença? É a dificuldade de acesso aos imunizantes? É a desconfiança nas vacinas? É alguma questão cultural, religiosa ou relacionada a uma experiência próxima? É a desinformação? Esse dado pode ser fundamental para nortear o resto da conversa.
  3. Valide o sentimento: depois de entender os motivos, valide e acolha o sentimento da pessoa. Validar não é concordar, mas saber que ter dúvidas é legítimo e não exclui a vontade do indivíduo de proteger a si mesmo e aos outros.
  4. Traga informações confiáveis: é só então que você deve trazer informações referentes ao medo que a pessoa traz, em um tom de orientação e não de bronca ou imposição. Quanto mais conhecimento você tiver acerca do que ela está trazendo para você, melhor.

“A autonomia daquela pessoa precisa ser respeitada e é ela quem vai decidir. O desfecho disso está intimamente ligado à forma como você consegue ter essa conversa. Mas não é você que vai convencer [a pessoa]. Não é você que vai mudar essa chave ali, imediatamente. Pode ser que hoje ela ainda não esteja convencida de se vacinar, mas uma sementinha foi plantada para ela pensar diferente”, destaca Evelin Plácido, enfermeira e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) — Regional do Estado de São Paulo.

Nova geração de idosos

Alguns comportamentos relacionados à hesitação vacinal, por exemplo, têm a ver com uma percepção equivocada sobre a própria saúde. Atualmente, as taxas de vacinação em idosos no Brasil têm demonstrado quedas preocupantes, porque muitas pessoas chegam à terceira idade com vitalidade e não enxergam a necessidade de tomar as vacinas indicadas para a sua faixa etária.

Nesse caso, é preciso lembrar que nenhuma vacina impede que a pessoa tenha a doença. Mas, se tiver, o quadro tende a ser mais leve e não evoluir para desfechos negativos. Ao envelhecer, por mais saudável que a pessoa seja, o sistema imunológico vai naturalmente enfraquecendo, o que aumenta o risco de complicações para doenças que podem ser prevenidas com os imunizantes.

E com os antivacinas, dá para dialogar?

“Já o antivacina nem quer te escutar. E um diálogo não se estabelece quando o outro não te autoriza a falar. Se você não está autorizado a falar, também não está autorizado a ser escutado”, alerta Plácido.

Nesses casos, você pode dizer: “Olha, tenho informações diferentes sobre esse assunto”. Isso também é entregar uma informação. Se, em algum momento, a pessoa se sensibilizar, ela pode procurar você.

Enquanto isso não acontece, a recomendação é não multiplicar as informações falsas que a pessoa traz, seja em conversas ou nas redes sociais. Pelo contrário: quanto mais informações corretas forem veiculadas, mais o discurso baseado em ciência poderá atingir essas e outras pessoas.

Veja também: Vacinas não têm idade: por que manter a vacinação em dia é essencial



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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