Número de fumantes volta a crescer no Brasil após anos de queda

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Número de fumantes volta a crescer no Brasil após anos de queda

O Brasil interrompeu a trajetória de queda do tabagismo: após estagnar desde 2019, o número de fumantes no país voltou a subir em 2024. Hoje, 11,6% da população adulta se declara fumante de cigarro convencional, contra 9,3% em 2023.

Os dados são da pesquisa preliminar anual da Vigitel, a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. O aumento de 25% acende um alerta, especialmente no contexto de popularização dos cigarros eletrônicos. 

Causas do aumento

Segundo Mônica Andreis, psicóloga e presidente da ACT Promoção da Saúde, a procura de pessoas com mais de 18 anos por cigarro convencional está associada a dois fatores principais. O primeiro está na ausência de novas campanhas de conscientização sobre os riscos do tabagismo para a saúde e o segundo está na falta de reajuste do preço mínimo do cigarro desde 2016 até 2024.

“Quanto mais acessível o produto, maior a facilidade de consumo. O preço do cigarro deveria ser muito elevado, e não barato. É o tipo de produto que você tem que desestimular a compra. No Brasil, foram oito anos sem reajustar impostos e preços de cigarros. Enquanto isso, ficamos um bom tempo sem campanhas abrangentes sobre o tema por parte do governo, com o advento de propagandas e comércio ilegal pela internet, o que acaba estimulando o consumo”, explica a especialista.

Em 2012, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma norma técnica que proíbe o uso de substâncias que conferem sabor e aroma em produtos de tabaco. A indústria tabagista, no entanto, entrou com ações judiciais que impediram a implementação efetiva da decisão até hoje. 

Além disso, a Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CONICQ), um órgão essencial para o combate ao tabagismo no país, foi tecnicamente enfraquecida por sentenças governamentais nos últimos anos, sendo reestabelecida apenas em 2023.

Tem a ver com o cigarro eletrônico?

Já em relação ao consumo de cigarros eletrônicos, o uso na população adulta se manteve estável de 2019, quando os dados começaram a ser coletados, até 2024. Muito diferente do que se vê entre os adolescentes de 13 a 17 anos, cuja experimentação dos cigarros eletrônicos saltou de 16,8% para 29,6% no mesmo período, segundo a última Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (PeNSE 2024).

Os cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil desde 2009, mas, em 2019, a Anvisa iniciou um processo de revisão técnica que só acabou em 2024, com a manutenção da proibição. No mesmo ano, as restrições foram ampliadas, vedando também a fabricação, distribuição, armazenamento e transporte desses produtos no país. Ainda assim, basta uma simples pesquisa na internet para encontrar cigarros eletrônicos à venda.

“O marketing que envolve o cigarro eletrônico é muito grande. Ele foi criado como um dispositivo alternativo ao cigarro convencional e que causaria menos malefício do que o cigarro, porque não teria combustão, aquelas substâncias tóxicas todas que o cigarro convencional tem. Mas a questão é que o dispositivo não é isento de risco”, destaca Maria Cecília Maiorano, pneumologista e coordenadora da pós-graduação em pneumologia da Afya Educação Médica São Paulo.

Metais pesados e outras substâncias presentes nos dispositivos podem causar problemas graves nos pulmões. Entre os adolescentes, o perigo é ainda maior, já que o cérebro ainda está em processo de desenvolvimento. Mais suscetíveis a substâncias que trazem prazer, eles têm mais risco de se tornarem dependentes, assim como de migrarem para outras substâncias químicas que agem no mesmo local do cérebro – como o cigarro tradicional e drogas ilícitas.

Algumas teorias relacionam o aumento do consumo de cigarros eletrônicos entre os jovens com o aumento do consumo de cigarros tradicionais entre os adultos, mas ainda não há estudos que comprovem essa afirmação. Até o momento, o público-alvo desses dispositivos continua sendo os adolescentes.

Veja também: Cigarros eletrônicos entre jovens: qual é o panorama atual?



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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