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Com apenas os pilares preservados, o escritório Passos Arquitetura redesenhou praticamente todo o layout deste apartamento de 97 m², no bairro do Paraíso, São Paulo. Incorporando duas suítes, lavabo, closet e áreas sociais foram integradas em uma transformação completa.
Se antes o espaço era dividido entre quartos pequenos, um banheiro único, cozinha isolada e dependência de serviço, o novo projeto aposta em amplitude e continuidade.
A sala, a cozinha e a área de jantar se transformam em um único eixo fluido, no qual uma ilha de pedra se estende até se converter em mesa de jantar, gesto que une solidez e leveza em uma peça única e imutável.
Apê vira loft com paleta de cinzas e madeiras profundas
“Nesse caso, exploramos a integração total da cozinha e sala de jantar, sem barreiras, e as conexões visuais entre os ambientes, característica muito presente na arquitetura japonesa”, explicam os arquitetos Thiago Passos e Débora Cunha, sócio arquitetos da Passos Arquitetura. Paredes que não chegam até o teto, bandeiras de vidro e eixos de visão prolongados criam uma sensação de respiro dentro de um apartamento compacto.
Materiais simples, nacionais e intencionais reforçam a identidade do projeto. O piso monolítico dá unidade aos ambientes, enquanto tacos de madeira originais foram reaproveitados nos quartos e closet. O mármore Espírito Santo jateado, com suas mesclas sutis, traz uma sofisticação discreta e acessível. A marcenaria em laca branca e desenho limpo completa o conjunto, com detalhes mínimos e precisos.
O mobiliário sob medida também desempenha papel central. O sofá em “L” foi projetado como um elemento contínuo, que percorre a sala de TV e se estende até a área social, otimizando espaço e costurando os usos. Mesas, camas e bancadas foram igualmente concebidas especialmente para o apartamento, transformando o mobiliário em parte indissociável da arquitetura.
“O mais curioso foi perceber como o apartamento revelava a transição das estações. No verão, o sol entrava de uma fachada; no inverno, da fachada oposta. As plantas mudavam de lugar ao longo do ano, e isso criava uma conexão muito forte com o tempo e com o clima externo”, comenta os arquitetos.
Fonte: Abril, Tu Organizas

