Mulheres trans também podem ter câncer de próstata

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Mulheres trans também podem ter câncer de próstata

O risco de uma mulher trans desenvolver câncer de próstata ainda é pouco conhecido pela ciência. Mesmo após realizar a cirurgia de redesignação sexual, a menos que ela opte por uma operação específica para a remoção da próstata, o órgão continua lá. E, em tese, o risco de um tumor também.

No entanto, o cenário é pouco conhecido porque a aceitação social sobre o processo de transição de gênero é recente. Até então, mulheres trans não tinham opções de afirmação de gênero e viviam a vida toda em um corpo no qual não se reconheciam. Além disso, elas também tem, historicamente, menos acesso à saúde e maiores indíces de mortalidade, seja por violência ou suicídio.

Portanto, boa parte dessa população não chegava aos 50 anos, faixa etária em que o risco de câncer de próstata começa a aumentar consideravelmente. 

O que dá para saber?

Na literatura científica, há poucos estudos com alto nível de evidência. O que se sabe vem a partir de relatos de casos.

Como muitas mulheres trans fazem terapia hormonal, com o uso de estrogênios e bloqueadores de andrógenos, a circulação da testosterona diminui — e esse é justamente o hormônio que estimula o crescimento do tumor em indivíduos com predisposição à doença. 

Dessa forma, pode-se imaginar que a terapia hormonal fosse um fator protetivo contra o surgimento do câncer de próstata, especialmente em quem começa o tratamento ainda jovem. Por outro lado, alguns tumores conseguem crescer mesmo com pouca testosterona disponível no organismo e podem ser biologicamente ainda mais agressivos.

“Muitas pessoas iniciam a transição mais tarde. E falando dos riscos de câncer de próstata, tanto individuais quanto da natureza, eles envolvem, por exemplo, tabagismo, questões metabólicas, excesso de gordura corporal, entre outros. Quando [a paciente] começa a usar o hormônio feminino, o câncer de próstata pode já estar instalado”, explica Ubirajara Barroso Jr., urologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). 

Exames necessários para rastrear o câncer de próstata

Ainda assim, o câncer de próstata tem altas chances de controle e cura quando é identificado precocemente. Para mulheres trans, as orientações são similares à população cis, mas a avaliação deve ser individualizada. Em geral, a regra é realizar o rastreamento com exames de sangue (PSA) e toque retal a partir dos 50 anos; ou antes, se houver histórico familiar. 

Em mulheres trans que não foram submetidas à cirurgia genital afirmativa de gênero, a avaliação é por meio do exame de toque retal comum. Em mulheres trans que realizaram a cirurgia, o exame é o de toque vaginal, pois na construção da neovagina, o canal vaginal fica posicionado entre a próstata e o reto.

Já o exame que mede os níveis de PSA (antígeno prostático específico), por sua vez, pode dar resultados muito baixos, dificultando o diagnóstico. Isso porque com a terapia hormonal e a redução do estímulo da testosterona sobre a próstata, o órgão entra em um processo de atrofia e encolhimento. Sendo assim, os níveis da proteína produzida pela próstata também diminuem, dificultando a detecção precoce do tumor. Merecem atenção exames cujos resultados estão acima de 3ng/mL em quem não faz tratamento hormonal e 1ng/mL em quem faz. 

“É preciso, obviamente, conversar [com a paciente], porque há uma disforia de gênero. Mas a primeira coisa é se despir do preconceito, atender, chamar pelo nome social, entender como se faz o rastreamento. É preciso fazer com que a população de mulheres trans entenda quais são os riscos e saiba que a avaliação genital deve fazer parte de qualquer exame físico na área básica de saúde”, aconselha o urologista.

Veja também: Conheça as opções de prevenção do HIV para mulheres trans e travestis



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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