Marvel Cosmic Invasion é novo beat ‘em up desenvolvido pela Tribute Games, que chega três anos após o lançamento de Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, no que ambos são distribuídos em uma parceria com a Dotemu (Streets of Rage 4).
Assim como o título anterior, este é uma ode aos velhos tempos dos games de Arcade devoradores de fichas, os excelentes brawlers cooperativos que reinaram antes da ascensão de Street Fighter, Mortal Kombat, The King of Fighters e cia., mas Marvel Cosmic Invasion possui doses de inovação ao mesclar elementos da série Marvel vs. Capcom.
Marvel Cosmic Invasion (Crédito: Divulgação/Tribute Games/Dotemu/Marvel Games/Disney)
Porradaria cósmica
O plot é bem básico, como tem que ser: quando o Aniquilador, um dos mais formidáveis vilões cósmicos da Marvel (criação, claro, de Jack Kirby), inicia uma nova campanha de conquista galática, os heróis mais poderosos da Terra e do Espaço se unem para rechaçar suas investidas e salvar o dia. Só isso, não precisa muito mais.
A força de Marvel Cosmic Invasion está em seu elenco variado, com os obrigatórios Capitão América, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Tempestade, Fênix (o que não faz sentido algum), Venom, Pantera Negra, Rocket Racoon e Wolverine, e outros menos explorados em games como Mulher-Hulk, Surfista Prateado e Nova, este com seu icônico (e questionável) visual dos anos 1990.
O game também traz algumas surpresas como Bill Raio Beta, irmão-de-armas e um dos mais nobres aliados do Thor (e uma sensacional forma de resistir à tentação de incluir o deus do trovão no elenco), Phyla-Vell, a segunda filha do Capitão Marvel original (longa história), e o Motoqueiro Fantasma Cósmico, que não é Johnny Blaze, mas uma variante de Frank Castle/Justiceiro, e um personagem bem recente da cronologia das HQs.
Game combina pancadaria desenfreada com mecânicas da série Marvel vs. Capcom (Crédito: Divulgação/Tribute Games/Dotemu/Marvel Games/Disney)
Assim como Shredder’s Revenge, Marvel Cosmic Invasion oferece dois modos de jogo, o Arcade, com continuações limitadas e direto ao ponto, e o História, com evolução e progressão de personagens, e nem todos os personagens disponíveis de cara. A grande novidade é o sistema de duplas, você joga com dois personagens por vez, e pode trocar entre eles e realizar combinações de ataques.
Esta é uma jogabilidade herdada dos jogos de luta desenvolvidos pela Capcom baseados nos personagens da Marvel, de X-Men: Children of the Atom aos Marvel vs. Capcom; muitos dos movimentos individuais de alguns personagens também vieram desses jogos, o que não é surpresa, a Tribute Games tem a mania de pegar golpes “emprestados”, e nem algo ruim, apenas mais uma dose de nostalgia.
O rol de inimigos selecionados é igualmente clássico, temos buchas como Besouro e Treinador (o fanfarrão original, não a coitada despachada em Thunderbolts*), vilões questionáveis como M.O.D.O.K., ameaças de escala cósmica como Knull, o deus dos simbiontes, e inimigos clássicos dos X-Men como Sauron e Molde Mestre, porque sendo um game da Marvel, a presença de um oponente gigante se faz obrigatória.
Não é um game da Marvel se não tiver um chefe gigante (Crédito: Reprodução/Tribute Games/Dotemu/Marvel Games/Disney)
Falando da jogabilidade, o pessoal da Tribute Games cortou um dobrado para que o sistema de duplas, especialmente em sessões multiplayer, não se tornasse uma bagunça desenfreada, e tudo funciona muito bem; os inimigos normais são bastante variados, de insetoides a agentes da I.M.A., e cada herói tem um enorme arsenal de técnicas, com exceção de uma: por algum motivo inexplicável não há um agarrão universal, apenas alguns, como a mulher-Hulk, podem segurar oponentes e arremessá-los.
O que merece destaque foi uma solução para um problema dos mais corriqueiros em beat ‘em ups, os inimigos voadores: a maioria dos personagens selecionáveis em jogos do gênero sofre para lidar com eles, mas aqui, com vários contando com habilidades de voo (Homem de Ferro, Phyla-Vell, Fênix, Tempestade, etc.), eliminar esses históricos incômodos ficou muito, mas muito mais fácil.
O visual do game segue o design pixelado de TMNT: Shredder’s Revenge, mas com identidade própria, se assemelhando levemente ao antigo Captain America and the Avengers (1991), sem a dificuldade insana deste; a trilha sonora, mais uma vez provida pelo português Tiago “Tee” Lopes, mostra mais uma vez por que ele é um dos mais requisitados para compor músicas dedicadas a games com pegadas retrô, de Sonic Mania e Streets of Rage 4 ao beat ‘em up mais recente das Tartarugas Ninja.
Por fim, sendo um game baseado em personagens da Marvel Comics, os cenários são coalhados de referências, algumas bem simples e óbvias (como Jeff, o Tubarão Terrestre, um dos heróis de Marvel Rivals), e algumas bem obscuras, voltadas aos leitores mais antigos dos quadrinhos.
Algumas referências são bem obscuras (Crédito: Reprodução/Tribute Games/Dotemu/Marvel Games/Disney)
O modo História de Marvel Cosmic Invasion conta também com um sistema de missões, alguns estágios precisam ser concluídos com uma dupla específica, de modo a cumprir missões que se convertem em cubos cósmicos. Há também alguns escondidos nos estágios, e outros que são ganhos ao evoluir individualmente seus heróis.
Cada cubo cósmico ganho completa um fragmento da Matrix Cósmica, um cubo gigante que permite checar fichas técnicas, desbloquear palhetas de cores e visuais alternativos, ouvir músicas, e habilitar modificadores do modo Arcade, como o modo Free Play (continuações infinitas), ou escolher dois personagens iguais.
Este foi o modo que a Tribute Games encontrou para incluir um sistema de backtracking no game, um pouco diferente do presente em Shredder’s Revenge, onde você precisava voltar em estágios e coletar itens. O grande problema é que desbloquear tudo leva tempo, e limita um pouco a liberdade no gameplay.
Cubos cósmicos coletados desbloqueiam visuais, músicas, fichas técnicas dos personagens, e modificadores do modo Arcade (Crédito: Reprodução/Tribute Games/Dotemu/Marvel Games/Disney)
Em última análise, o game oferece opções de jogo mais abrangentes para quem espera um fator replay maior do que o oferecido pelo modo Arcade clássico, que se limita apenas a uma campanha um tanto curta de pancadaria. Pode ser um tanto cansativo investir tempo para completar a Matrix Cósmica, mas as vantagens compensam no fim das contas.
Conclusão
Marvel Cosmic Invasion é mais um exemplo de que o gênero beat ‘em up ainda tem muita lenha para queimar, quando desenvolvedores entregam aquilo que os jogadores querem: diversão e qualidade. A Tribute Games teve o privilégio de lançar dois games baseados em franquias famosas em três anos, mas há opções originais e igualmente divertidas, desde o já clássico Fight’N Rage, ao mais recente e belíssimo Absolum, também distribuído pela Dotemu.
A campanha pode ser um tanto curta, mas há inúmeras possibilidades de combinações e estratégias de combate, viabilizadas pelo cross-play online multiplataforma disponível, desta vez, desde o início.
Marvel Cosmic Invasion (Crédito: Divulgação/Tribute Games/Dotemu/Marvel Games/Disney)
Para quem sente saudade dos bons tempos de horas (e fichas) perdidas nas casas de Arcade de outrora, esmagando botões para detonar hordas de inimigos sozinho ou com os amigos, Marvel Cosmic Invasion não decepciona, e é diversão garantida nas sessões online do fim de semana.
Marvel Cosmic Invasion — Ficha Técnica
- Plataformas — PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PS4, Xbox One, Nintendo Switch, Windows e Linux (analisado no Windows);
- Desenvolvedora — Tribute Games;
- Distribuidora — Dotemu;
- Classificação Indicativa — 10 anos.
Pontos fortes:
- Elenco enorme de personagens selecionáveis;
- Trilha sonora de primeira;
- Finalmente, opções contra inimigos voadores.
Pontos fracos:
- Como assim, um beat ‘em up sem agarrão universal?
- Desafios específicos restringem liberdade de escolha.

