Ler Resumo
Se existe um revestimento capaz de atravessar gerações sem perder o charme é o ladrilho hidráulico. Presente em casas antigas, edifícios históricos e memórias afetivas, esse material voltou a ocupar lugar de destaque na arquitetura, mas agora em projetos contemporâneos que valorizam personalidade e identidade visual.
Fã e conhecedor das características desse revestimento, o arquiteto Raphael Wittmann, à frente da Rawi Arquitetura, conta um pouco da história de como os ladrilhos chegaram ao Brasil e como podemos utilizá-los com criatividade, personalidade e bom gosto.
“O ladrilho hidráulico é um material que reverencia o passado e nos permite criar composições únicas hoje em dia, com um resultado visual muito expressivo que conecta tradição e inovação”, explica.
O que é o ladrilho hidráulico?
Apesar de estar novamente em evidência nos projetos contemporâneos, o ladrilho hidráulico não é exatamente uma novidade. Criados no sul da Europa, ainda no século XIX, o ladrilho é um revestimento que mistura cimento, areia e pigmentos, prensado manualmente e curado em água, dispensando a queima em forno.
Pouco tempo depois, os ladrilhos se espalharam por diferentes regiões do continente e chegaram a países tão distantes, como a Rússia. Pouco a pouco também foi ocupando seu lugar de sucesso no Brasil, especialmente, nas décadas de 30 e 40.
“Ele virou uma presença marcante nas casas e edifícios públicos, compondo pisos com padrões geométricos e florais que até hoje fazem parte da memória de muitas famílias”, lembra Raphael.
Mas para o arquiteto, o que o diferencia mesmo dos demais revestimentos é a característica artesanal, onde se produz unidade por unidade. Isso porque são peças feitas de cimento, quartzo e pó de pedra e pigmentos naturais que moldam a estética única que cada uma carrega.
Benefícios e vantagens
Com esse histórico, o ladrilho hidráulico segue atual porque reúne características que atendem tanto às necessidades funcionais quanto às expectativas estéticas dos projetos, seja esse clássico, rústico, retrô ou contemporâneo. Para o arquiteto, uma das maiores vantagens é a durabilidade, pois quando mantido corretamente, o material pode permanecer perfeito por décadas e, caso apresente desgaste, ainda pode ser restaurado ao seu aspecto original.
Outro ponto alto está na liberdade criativa e na autenticidade: são inúmeros desenhos, mistura de texturas, cores. Portanto, são ideais na criação de projetos irreverentes e personalizados. “Além de resistente, o ladrilho hidráulico permite criar composições muito autorais, com desenhos que podem ser discretos ou bastante marcantes, dependendo da proposta do projeto”, destaca.
A versatilidade também merece uma atenção já que o ladrilho hidráulico pode ser utilizado em diferentes ambientes do lar, como salas, quartos, cozinhas e banheiros, áreas externas cobertas, além de diferentes ambientes, como quartos, salas, banheiros e cozinhas.
Leve e despretensioso: apê de 50 m² tem painel de azulejos na sala
Melhores aplicações
Dos pisos que lembram antigos tapetes estampados às paredes que se transformam em ponto focal do ambiente, o ladrilho hidráulico encontrou novas formas de aparecer nos projetos atuais. Na cozinha, por exemplo, o ladrilho pode ser aplicado no piso ou subir pelas paredes até a altura da bancada, criando continuidade visual e destacando a área de preparo.
Já em banheiros, ele aparece tanto no piso quanto em nichos e paredes, contribuindo para uma atmosfera acolhedora e cheia de personalidade. Em halls de entrada e áreas de transição, também funciona muito bem como elemento de destaque, criando uma espécie de ‘tapete’ visual logo na chegada.
Para Raphael, o segredo está em entender o papel do ladrilho dentro da composição geral do ambiente. “Temos que aproveitar o que ele tem de melhor, além da beleza, é perfeito para criar contrastes que reforçam a simetria do projeto”, diz.
Outro fator determinante para um resultado harmonioso é a escolha dos materiais que irão dialogar com o ladrilho. O arquiteto ressalta que combinações com madeira costumam trazer aconchego e equilibrar a intensidade visual dos desenhos. Já o concreto aparente e os acabamentos cimentícios reforçam uma estética contemporânea e urbana, enquanto marcenarias em tons neutros ajudam a destacar ainda mais os padrões do revestimento.
Cuidados na instalação e manutenção
Aqui, o processo começa com o uso de argamassa ACIII branca aplicada com desempenadeira dentada, que garante aderência adequada às peças. A distribuição uniforme da argamassa, principalmente, nas bordas, é fundamental para evitar rachaduras e garantir estabilidade ao revestimento. Por se tratar de um material poroso, a atenção durante a instalação deve ser redobrada, pois qualquer sujeira ou resíduo pode penetrar na superfície e comprometer o acabamento.
“É essencial manter o cuidado durante todo o processo, evitando manchas e garantindo que as peças permaneçam protegidas até o final da obra”, orienta o profissional.
Após o assentamento, a aplicação de resina protetora é uma etapa importante para preservar o material contra manchas e facilitar a limpeza cotidiana. Em alguns casos, essa proteção pode ser feita antes do rejuntamento, como forma de evitar que resíduos comprometam a superfície. Depois da aplicação do rejunte, recomenda-se aguardar aproximadamente uma semana para que o ladrilho esteja completamente seco antes da aplicação final da resina.
Limpeza
No dia a dia, a manutenção também exige atenção, mas a recomendação é simples: água e sabão neutro costumam ser suficientes, e, em muitos casos, um pano úmido resolve a maior parte das necessidades. O principal erro cometido pelas pessoas é o uso de produtos químicos para a limpeza das peças, o que pode danificá-las, em razão de sua composição., mas também é bom evitar arrastar móveis diretamente sobre o piso e utilizar feltros protetores nos pés de mesas e cadeiras também são cuidados importantes para preservar o revestimento.
Fonte: Abril, Tu Organizas

