Infertilidade masculina mais que dobra no Brasil em 10 anos

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Infertilidade masculina mais que dobra no Brasil em 10 anos

A quantidade de atendimentos relacionados à infertilidade masculina mais que dobrou na última década, segundo dados do Ministério da Saúde. De 725 assistências em 2015, o número pulou para 1,5 mil até setembro de 2025. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em cada 6 pessoas enfrenta problemas de infertilidade. Estudos indicam que os homens respondem por cerca de 30% dos casos isoladamente e por outros 20% em associação com fatores femininos.

Recentemente, a entidade lançou, pela primeira vez, uma diretriz mundial para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade. Entre os pontos-chave do documento, está a orientação de que os homens também devem ser examinados precocemente.

“É um erro muito comum investigar apenas a mulher. O homem é investigado muito tardiamente, quando a causa da infertilidade masculina já poderia ter sido diagnosticada e tratada. Esse adiamento tem consequências. Quanto mais tempo o casal demora para procurar ajuda e ter um diagnóstico, menor é a probabilidade de sucesso”, explica Rodrigo Rosa, ginecologista, obstetra, sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de reprodução humana.

 

Principais causas da infertilidade masculina

A infertilidade masculina é um termo amplo que se refere a diversos problemas de saúde que prejudicam a capacidade reprodutiva do homem. Alguns deles são:

  • alterações hormonais causadas por anomalias ou uso de esteroides anabolizantes (as chamadas “bombas”);



  • questões hereditárias;



  • consequências de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);



  • doenças que atingem os testículos, como a varicocele;



  • tratamentos de quimioterapia e radioterapia na região pélvica;



  • uso de determinados medicamentos, como os antidepressivos;



  • disfunções sexuais, eréteis e/ou ejaculatórias.

No entanto, o que mais vem aumentando são as causas ligadas ao estilo de vida. Obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse e sedentarismo influenciam diretamente a fertilidade do homem.

“Tudo isso faz com que haja um processo inflamatório, aumentando o estresse oxidativo e a quantidade de radicais livres, o que piora a produção de espermatozoides, tanto em quantidade quanto em qualidade”, afirma o ginecologista.

 

Como acontece o diagnóstico da infertilidade no homem?

Geralmente assintomáticos, os casos de infertilidade masculina são detectados a partir de um espermograma, exame que avalia concentração, motilidade e forma dos espermatozoides. A fragmentação do DNA espermático é um exame complementar e, dependendo da causa, pode ser solicitada uma investigação mais profunda, como testes genéticos e hormonais, ultrassom de bolsa testicular e outros.

“Em relação aos tratamentos disponíveis, as principais opções para casos de infertilidade masculina são: quando em decorrência de uma varicocele, que é a principal causa, o tratamento cirúrgico melhora em 50% dos casos. Quando é uma alteração mais importante e que não melhorou com mudança de estilo de vida ou medidas clínicas, o caminho seria a inseminação artificial (que depende da qualidade do sêmen, precisando de um critério mínimo de qualidade). Ou, o que é mais comum, partir direto para a fertilização in vitro. Em casos de diminuição de concentração, motilidade ou morfologia mais severas, o único tratamento indicado é a fertilização in vitro”, elenca Rosa.

Em várias situações, mudanças de estilo de vida, como a perda de peso e o abandono do sedentarismo, podem melhorar e até reverter o quadro para um espermograma normal. Também pode melhorar as condições de forma parcial, de modo que, mesmo precisando de um tratamento de reprodução assistida, o resultado será mais positivo.

Veja também: Infertilidade secundária: por que alguns casais não conseguem ter outros filhos?

 



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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