Em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde, 79% das mortes causadas pelo Influenza, o vírus da gripe, aconteceram em pessoas com uma ou mais comorbidades, principalmente adultos jovens e idosos. Cardiopatia crônica (52,2%), diabetes (32,3%) e pneumopatia crônica (19,4%) foram os principais fatores de risco.
Isso mostra que em pessoas com mais de 60 anos e doenças crônicas associadas, os quadros de gripe são potencialmente mais graves. Além disso, a infecção pode levar a complicações sérias e afetar não só a saúde respiratória, como também a cardiovascular.
O impacto da imunossenescência
Todas as pessoas passam por um processo natural de imunossenescência, que é o envelhecimento do sistema imunológico. Esse processo, no entanto, não é linear.
“O idoso robusto ainda é um idoso. Mas quanto mais frágil e mais doenças, maior a necessidade de determinados remédios como os corticoides e maior a probabilidade de outras situações que prejudiquem ainda mais a resposta imune. Isso faz com que a imunossenescência, que é o envelhecimento do nosso ‘exército de defesa’, seja ainda pior”, explicou a geriatra Maisa Kairalla, durante o evento Proteção Além da Gripe, realizado pela Sanofi na última quarta-feira (1).
Por exemplo, se o paciente possui doença respiratória crônica, como a DPOC, que acontece muito devido ao uso do cigarro, a infecção pelo vírus Influenza pode levar a uma hospitalização grave.
“Se esse doente tem uma infecção e não está vacinado, ele forçosamente vai para a terapia intensiva, corre um risco imenso de ser colocado em ventilação mecânica e isso aumenta a morbidade e a mortalidade”, destacou a pneumologista Margareth Dalcolmo, que também participou do evento.
Gripe e riscos para o coração
Isso acontece devido ao “fenômeno inflamatório sistêmico”, um processo que libera substâncias tóxicas no organismo após a infecção. As consequências são sentidas especialmente na saúde do coração.
“O fenômeno inflamatório sistêmico leva à liberação de substâncias inflamatórias somada a migração de células, aumento da coagulabilidade e atividade de plaquetas. Consequentemente, há um maior risco de AVC e infarto”, destacou Múcio Tavares, cardiologista que compôs o segundo painel do Proteção Além da Gripe.
O médico relatou ainda que, no pronto-socorro do InCor, hospital onde ele atua, cerca de 30% dos pacientes que chegam com um problema do coração relatam um episódio gripal nos últimos 10 dias.
O papel da vacina
Nesse contexto, a vacina da gripe para pessoas acima dos 60 anos surge não apenas como uma maneira de evitar os casos graves e mortes pelo vírus, mas também prevenir as complicações causadas pela infecção.
A vacina de alta dose contra a gripe tem cerca de quatro vezes mais antígenos que a versão tradicional, o que gera uma resposta imunológica mais forte. Além disso, um estudo clínico com mais de 300 mil idosos mostrou que, em comparação à vacina padrão, a vacina de alta dose:
- reduz em 7,5% as hospitalizações por doenças cardiovasculares;
- reduz em aproximadamente 20% nas internações por insuficiência cardíaca;
- e reduz o número de hospitalizações cardiorrespiratórias no geral.
“Na cardiologia, a imunização tem o mesmo impacto de outras medidas, como parar de fumar. Então, não adianta só a gente querer viver mais. A gente precisa viver bem e, para isso, precisamos de intervenção. Além de dieta, atividade física e tudo aquilo que a gente já sabe, entra a imunização. Com a vantagem de que protege coletivamente também”, ressaltou a infectologista Rosana Richtmann, outra palestrante do evento.
Para o dr. Drauzio Varella, que abriu a cerimônia, é fundamental discutir a vacinação não só em crianças, mas em idosos. Hoje, essa população vive até idades longevas, com um sistema imunológico que não é mais o mesmo da infância. Por isso, é importante manter o calendário vacinal em dia, inclusive com a vacina da gripe uma vez a cada ano.
Veja também: Gripe: ciclo de infecção, complicações e vacinação

