O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) enviou nesta semana uma proposta ao Ministério da Fazenda para tentar reduzir os impactos da elevação do preço internacional do petróleo sobre o setor aéreo brasileiro em razão da guerra no Oriente Médio, que inclui possíveis aumentos no preço das passagens aéreas.
O documento, elaborado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), reúne sugestões como a redução temporária de impostos incidentes sobre o querosene de aviação (QAV), redução do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas e do Imposto de Renda sobre operações de leasing (aluguel) de aeronaves.
O objetivo, segundo o MPor, é “preservar a competitividade das empresas, evitar repasses excessivos ao consumidor e manter a conectividade aérea no país.”
Ainda de acordo com o ministério, o material foi encaminhado à Fazenda “como subsídio técnico para avaliação” e, neste momento, integra apenas uma lista de tratativas internas do governo federal.
A situação no Oriente Médio é especialmente sensível para o setor petroleiro porque 20% da produção global passa pelo Estreito de Ormuz, de domínio do Irã, que tem dificultado ou proibido o tráfego de navios. E a crise tem se agravado nas últimas horas à medida que a guerra passa a envolver ataques a refinarias de petróleo e áreas de produção de gás natural.
O petróleo é matéria-prima do querosene de aviação, e o combustível representa nada menos do que 30% dos custos totais da operação das companhias aéreas.
Como a crise pode afetar as empresas aéreas?
Especialistas ouvidos recentemente pelo Melhores Destinos apontam que o aumento nos custos totais das companhias aéreas pode ficar em torno de 5% a 10% no curto prazo, considerando a participação do combustível nos custos das empresas e o fato de que o petróleo subiu até 58% em algumas regiões desde o início do conflito.
As tarifas aéreas, por sua vez, podem ficar de 10% a 40% mais caras dependendo da região do mundo. No Brasil, as companhias aéreas podem ajustar tarifas em rotas afetadas por combustível importado. Vale lembrar, porém, que 80% do QAV usado no Brasil é produzido internamente.
Na nossa região, a Aerolíneas Argentinas já está aplicando uma taxa extra aos passageiros para amenizar os custos inesperados com combustível. De acordo com a companhia aérea, o valor adicional é de 7.500 pesos por trecho (em torno de R$ 28 na cotação de hoje). Para voos internacionais, a cobrança é de US$ 10 a US$ 50 por trecho (R$ 52 a R$ 261).
Na Europa, a Air France e a KLM já aumentaram o preço de passagens para voos de longa distância (o que inclui o Brasil). Na classe econômica, o bilhete pode ficar € 50 (cerca de R$ 300) mais caro por cada viagem de ida e volta.
Em alguns países, os alarmes já soaram para a possibilidade de companhias aéreas iniciarem cancelamentos massivos de voos a partir do mês que vem em razão da escassez de combustível e da elevação de custos operacionais.
Guerra e crise do petróleo preocupam Azul, Gol e Latam
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Azul, Gol e Latam, acredita que o fato de a maior parte do QAV usado no Brasil ser produzido internamente pode ajudar o país a amortecer os impactos dos choques externos sobre o setor.
A entidade, no entanto, reafirma que a indústria da aviação observa com “muita preocupação” a volatilidade do preço do barril do petróleo devido aos conflitos internacionais. Um cenário de maior descontrole tende a pressionar os custos operacionais, reduzir a oferta (na forma de voos cancelados) e prejudicar o acesso ao transporte.
Por conta das incertezas, as companhias aéreas nacionais buscam canais de diálogo com o governo federal para discutir os efeitos da escalada do petróleo nos investimentos das companhias.
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Fonte: Viajali, Melhores Destinos

