Como prevenir o câncer de colo do útero?

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Como prevenir o câncer de colo do útero?

Uma doença que pode ser evitada com vacina, mas ainda mata 20 mulheres por dia. Esse é o retrato do câncer de colo do útero no Brasil. Trata-se do câncer que mais mata brasileiras até os 35 anos e o segundo mais letal até os 60 anos. Em termos gerais, é o terceiro tumor mais incidente na população feminina. 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estão previstos 19 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028 — um aumento de 14% em relação ao triênio anterior. 

O assunto foi tema central na abertura da Casa Lilás, ação que marcou o início do Março Lilás, mês de conscientização sobre o câncer de colo do útero. O evento, promovido pela farmacêutica MSD, teve apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). 

 

Vacina contra o HPV: a principal forma de prevenção

A prevenção do câncer de colo do útero começa com a vacinação contra o HPV (papilomavírus humano), responsável por 99% dos casos. A vacina é fornecida pelo SUS em dose única para meninas e meninos entre 9 e 14 anos de idade. Eventualmente, a faixa etária é estendida até os 19 anos. O imunizante também está disponível para grupos prioritários (estes precisam de três doses da vacina):

  • Pessoas imunossuprimidas (como quem vive com HIV ou realizou transplante de órgãos);
  • Pacientes oncológicos; 
  • Vítimas de violência sexual (menores de 14 anos devem tomar duas doses e não três); 
  • Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir dos 2 anos;
  • Usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos. 

Quem não faz parte desses grupos pode se vacinar na rede privada. A vacina é oferecida em duas ou três doses (a partir dos 20 anos) e recomendada para indivíduos até os 45 anos

O HPV causa 5% de todos os cânceres do mundo. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, esse número chega a 15%. Ou seja, se a gente tirar o HPV dessa sala, reduz em 15% o risco de câncer”, disse Valentino Magno, ginecologista, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da Febrasgo, durante o evento. 

Veja também: Câncer de colo de útero e HPV: qual a relação?

 

Exames e rastreamento de lesões pré-cancerígenas

Além da vacina, também é fundamental fazer os exames de rotina, como o teste DNA-HPV e o Papanicolau (citologia oncótica). No Papanicolau, o médico colhe amostras do tecido do colo do útero que serão analisadas em laboratório. O exame identifica se há alterações nas células produzidas pelo HPV, isto é, lesões pré-cancerígenas causadas pelo vírus. Recentemente, o Ministério da Saúde implementou no SUS o teste DNA-HPV, que é mais sensível e detecta a presença do vírus (mesmo se não houver lesão). 

A citologia deixou de existir? Não, a citologia é útil ainda, porque ter o DNA do vírus não significa ter doença por HPV. O problema é você ter a doença pré-maligna. Ter o HPV é ruim, lógico, você tem o HPV oncogênico de alto risco, que pode desenvolver lesão. Mas você tem a lesão? Aí é que entra a citologia”, esclarece Susana Aidé, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo.

O rastreamento do câncer de colo do útero no Brasil é recomendado dos 25 aos 64 anos de idade. A especialista explica como esse rastreamento é feito, conforme as novas diretrizes: 

  • Aos 25 anos, inicia-se o rastreio com o teste DNA-HPV. Se o teste for negativo (ou seja, não há HPV), ele deve ser repetido em cinco anos; 
  • Se houver DNA-HPV detectado para os tipos 16 e 18 — que são os mais agressivos e por isso são testados separadamente —, a pessoa é encaminhada para a colposcopia, que identifica se há lesão relevante ou não e, assim, conduz os próximos passos, como biópsia e tratamento de lesões;
  • Se houver DNA-HPV detectado para outros tipos que não sejam o 16 e o 18, ela é encaminhada para a citologia reflexa. Se a citologia for negativa (ou seja, não houver lesão), o teste deve ser repetido em um ano. Se a citologia for alterada, faz-se a colposcopia. 

“Como o teste DNA-HPV tem alta sensibilidade, mas não tem uma boa especificidade, quando ele dá positivo, a gente tem que entrar com um outro exame de triagem para detectar ou não lesões pré-malignas nessas mulheres: no caso do 16 e 18, com a colposcopia; no caso dos tipos não 16 e 18, com a citologia reflexa”, detalha a médica. “A citologia não é mais usada como forma de rastreio, mas como triagem para que a gente possa conduzir essas mulheres a chegar ou não a um diagnóstico de lesão de alto grau.”

Quando são diagnosticadas lesões pré-cancerígenas, normalmente é realizado o tratamento através de cirurgia de alta frequência para remover a parte do colo do útero onde se encontra a lesão. 

 

Erradicação do câncer de colo do útero

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta eliminar o câncer de colo do útero. Para isso, todos os países devem atingir e manter uma taxa de incidência inferior a 4 por 100 mil mulheres. A estratégia segue três pilares:

  • Vacinação: vacinar 90% das meninas contra o HPV até os 15 anos de idade;
  • Rastreio: assegurar que 70% das mulheres sejam rastreadas com exames de alta qualidade pelo menos até os 35 anos e novamente até os 45;
  • Tratamento: garantir que 90% das mulheres com lesões pré-cancerígenas ou câncer sejam tratadas adequadamente. 

O objetivo da OMS é que os países cumpram a meta 90/70/90 até 2030 para que a doença seja eliminada no próximo século. 

Aidé reconhece que implementar todas as estratégias em um país continental como o nosso, com realidades distintas, não é fácil. No entanto, ela acredita que o Brasil está abraçando a causa, não apenas em termos de saúde pública, através do Ministério da Saúde, mas também de sociedades médicas, que estão engajadas para isso. 

“O Ministério da Saúde implementou o teste do DNA-HPV como um teste mais sensível para rastreamento, dando equidade para todas as mulheres do Brasil poderem fazer esse teste, não só as mulheres do serviço privado. O governo permite a vacinação gratuita — não só para meninas e meninos na idade ideal de 9 a 14 anos, hoje estendido até 19 anos —, mas também para grupos prioritários. Ele [também] está capacitando pessoas para a realização da colposcopia e o tratamento a partir do diagnóstico das lesões pré-malignas”, conclui a ginecologista. 

Veja também: Câncer se aproxima das doenças cardiovasculares como principal causa de morte no Brasil, diz Inca



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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