Eu tinha recém saído da piscina, estava na espreguiçadeira segurando um drink chamado Espumas ao Vento. Olhei para o lado, vi o mar mais lindo do Nordeste e bateu uma culpinha por não estar dentro dele. Saí correndo pelo gramado macio, passei pela pequena portinhola de madeira que separa o hotel da praia, mergulhei. Voltei correndo (cada segundo parecia valioso), passei pela ducha porque posso ser deslumbrada, mas não porca, me joguei de novo na piscina. Daí, olhei para o lado e vi o mar…
Esse circuito de indecisão e prazer resume uma abençoada manhã de trabalho em fevereiro, quando fui convidada para conhecer o Mahré Hotel em São Miguel dos Milagres. Foi minha primeira vez em Alagoas, e eu ansiava demais por esse encontro. Demorou 33 anos porque precisava ser em alto nível, em um dos hotéis mais exclusivos da região.
Inaugurado no fim de 2023, o Mahré tem 30 suítes, todas com piscina e jardim. Somando a área externa privativa, as unidades têm entre 120 m² e 192 m². A gastronomia também é um destaque, comandada pelo chef carioca Rafa Gomes, vencedor do MasterChef Profissionais e do Iron Chef Brasil.
Neste post, a gente vai contar tudo sobre a hospedagem, o atendimento e a nossa experiência nos três dias que ficamos no Mahré Hotel. Se você prefere pular para a parte de “quanto custa essa brincadeira”, pode consultar os valores de hospedagem para as datas desejadas e até fazer reserva neste link.
Mahré Hotel: como é a estrutura
O Mahré Hotel ocupa uma área equivalente a seis campos de futebol à beira do mar em São Miguel dos Milagres. Nenhuma das suas 30 suítes fica em algum edifício: são charmosas casinhas de um piso espalhadas ao redor de um lago artificial cheio de peixes.
O hotel está em um dos pontos mais bonitos da praia de São Miguel dos Milagres. Fica a 1,5 km da concentração de barracas de Milagres. Mesmo que a circulação pela praia seja pública, é tão vazio que dá uma sensação de praia particular. Na faixa de areia, tem espreguiçadeiras daquelas que parecem camas, guarda-sóis e uma cancha de beach vôlei, que eu não vi ninguém usando. Um funcionário fica à disposição para providenciar serviço de praia.
A entrada já causa uma boa impressão, com espelhos d’água, um paisagismo caprichado e uma recepção com artesanatos que são a cara de Alagoas. O design é um ponto alto do lugar, um projeto com estilo modernista sonhado e executado pelos arquitetos Waleska Agra e Daniel Lemos, do escritório Agra e Lemos Arquitetura. Junto à recepção, há uma loja da estilista alagoana Martha Medeiros, conhecida por transformar renda artesanal em alta costura.
A piscina de uso comum é muito elegante, cercada por um paisagismo caprichado, espreguiçadeiras individuais e daybeds para casais. É uma piscina de raia semiolímpica com duas jacuzzis integradas. Ali também tem um bar, onde dá para pedir comidinhas e drinks do restaurante Tahí. Em alguns momentos, tinha um DJ tocando umas brasilidades gostosas por ali.
O hotel conta ainda com uma quadra de tênis, dava para pegar raquetes e bolas na recepção. E empresta bicicletas adultas e infantis para os hóspedes, para usar tanto no hotel, quanto na praia ou na cidade. Se for andar na beira do mar, leve em consideração o esforço que vai ter que fazer ao pedalar contra o vento. Vai que você sai pedalando a favor do vento e descobre que precisa voltar empurrando a bike na volta. Aviso porque aconteceu com uma amiga.
O povo da musculação pode ficar tranquilo, pois há uma academia 24 horas no hotel. Mas já adianto, não é grande: tem duas esteiras, uma bicicleta ergométrica, uma máquina de cross over para músculos superiores e uma cadeira que é ao mesmo tempo flexora e extensora, da marca Matrix. Fora os pesos e colchonetes. O que eu mais gostei é que tinha um frigobar com bebidas proteicas e uma cestinha com barrinhas de nuts para o pré-treino, disponíveis gratuitamente.
Embora o hotel se chame Mahré Hotel & Spa, pelo menos por ora, não há um espaço exclusivo para a realização de tratamentos corporais e outros procedimentos relaxantes. Mas o hóspede pode agendar massagens, que podem ser realizadas no quarto ou na varanda, em meio à natureza e à privacidade do ambiente.
O quarto: a minha Suíte Mangue
Eu fiquei em uma das Suítes Mangue, que, com a área externa privativa, soma 164 m². Maior que ela, só a Suíte Mar, que tem 192 m², incluindo um terraço com vista para o mar.
Mas deixa eu descrever a minha, que já tinha grama mais verde do que o suficiente, hehe. Ela tem uma sala integrada com o quarto, com cama king size coberta por enxoval Trousseau e travesseiros de plumas. A cama fica voltada para a piscina privativa, demanda menos de cinco passos para dar um mergulho. Nos fundos, há a vegetação de um mangue nativo, que dá nome à suíte.
O banheiro merece um capítulo à parte. Uma porta gigante de correr revela um balcão extenso com duas pias. De um lado fica o sanitário e, de outro, uma espaçosa área de banho com teto solar. Xampu, condicionador e gel de banho são da Bulgari — admito que eu só sabia da existência do perfume da marca de luxo italiana.
Já que entrei no assunto, deixa eu citar os outros amenities disponíveis no banheiro: kit dental, kit de barba, pente (esses três, de bambu), touca de banho, sabonete e hidratante Bulgari, kit com algodão e lixa, kitzinho emergencial de costura e um frasquinho de demaquilante, que foi uma grata novidade para mim. Também tinha chinelos Havaianas na cor marrom para os hóspedes.
O quarto ainda tem cafeteira Nespresso, frigobar em estilo retrô, cofre, secador de cabelo, ferro e tábua de passar dobrável. A Smart TV era bem grande e o ar-condicionado central, poderosíssimo. Ah, e quando os hóspedes chegam, encontram um trio de cocadinhas deliciosas sobre a mesa, um mimo de boas-vindas.
Restaurante Tahí
Tem apenas duas coisas que me fariam sair por livre e espontânea vontade de um quarto desses ao anoitecer, uma é comida e a outra, bebida. Por acaso, o Mahré entrega os dois.
Seja no almoço ou no jantar, o Tahí é um restaurante à la carte que vale conhecer. Mesmo se você não está hospedado no hotel — mas é importante fazer reserva nesse caso. Os frutos do mar são destaque, mas não fica só nisso e o chef não impõe limitações geográficas nas referências. Tem de tataki de atum a salada grega, de burrata a black angus.
Burrata di búfala com parma e salada refrescante mediterrânea: essa entrada não tem erro
É bem possível que você já tenha visto na TV o chef que assina o menu do Tahi. O niteroiense Rafa Gomes foi vencedor do MasterChef Profissionais (Band) em 2018 e do Iron Chef Brasil (Netflix) em 2022, também eleito Chef do Ano pelo guia Veja Rio Comer & Beber em 2023. Teve restaurantes no Rio e até em Paris.
Ele veio especialmente do Rio para receber o meu grupo de jornalistas no Tahí, então experimentamos boa parte do menu. Se eu estivesse lá agora, pediria o peixe branco com purê de banana e leite de coco (R$ 122), simples e delicioso. Ou polvo, que eu tenho paixão: ali é grelhado servido com molho romesco, batata na manteiga de ervas, crocante de milho e pimentões assados (R$ 152)
De entrada, eu adorei as lâminas de vieira canadense, creme fraiche, pipoca de quinoa e palha de alho-poró (R$ 168). E de sobremesa, uma versão da sobremesa que o Rafa apresentou na disputa final do MasterChef, um cremoso de chocolate branco com coulis de maracujá (R$ 152) que parece um carinho no paladar. Eu pedi nos três dias da viagem.
Os drinques também merecem menção. A carta é assinada por Isadora Fornari, especialista em destilados e cachacière (essa palavra é nova para mim também). As minhas colegas de viagem se apaixonaram pelo Beijo Salgado (foto), que uma definiu romanticamente como “receber um beijo de alguém que saiu do mar”. Eu tive que experimentar, né, mas logo descobri que agridoce em bebida não é para mim.
Gostei muito mais do Espumas ao Vento que eu citei lááá no começo do texto, com vodka, gengibre, limão e espuma de caju. Docinho na medida e refrescante.
O restaurante tem área interna, climatizada, e uma ampla varanda com vista para a piscina. Tem uma área mais reservada no segundo piso, com terraço, e você também pode reservar um piquenique privativo à beira do lago ou no terraço da suíte ou um jantar romântico no jardim na praia à luz de velas. A gente até tinha um jantar na praia previsto para o primeiro dia, mas o vento atrapalhou os planos. Fica para a próxima.
Na área do Tahí, também é servido o café da manhã aos hóspedes do Mahré, incluso no valor da diária. Ele é servido na mesa: primeiro vem na mesa uma cesta de pães, croissants, bolos, pão de queijo, geléia, sucos, jarra de café, iogurte e granola e frios, e você também pode pedir tudo que quiser do cardápio de duas páginas. Tem de cuscuz e tapioca a salmão benedict. Eu recomendo fortemente o queijo manteiga do sertão, que vem à mesa quentinho.
Atendimento no Mahré Hotel & Resort
Eu já vi que ia ser bem atendida no Mahré quando cheguei e me ofereceram uma água de coco geladíssima, a primeira de uma dezena que a gaúcha aqui tomaria em Milagres. Um funcionário muito gentil me apresentou o hotel nesse carrinho de golfe, antes de levar minhas malas para o quarto. Dava para pedir uma caroninha no veículo quando quisesse.
A “chave” do quarto é uma pulseirinha discreta, que também servia para identificação dos hóspedes. A única coisa ruim é que ela pode desmagnetizar, daí tem que solicitar ajuda ou ir na recepção pedir para “consertarem”.
Uma coisa que eu amei é que, assim que faz o check-in no hotel, cria-se um grupo no WhatsApp com o hóspede. Por ali, você pode pedir o que necessita ou tirar dúvidas, com retorno quase imediato. Dá também para agendar massagem ou passeios (com preço adicional, claro).
Um dia eu fui para Porto da Rua e precisei de táxi para voltar, então, mesmo fora do hotel, pedi ajuda via grupo de Whats. A recepcionista, querida, passou meia hora tentando encontrar um taxista para mim (táxi realmente é uma lacuna de Milagres), e me atualizava de dez em dez minutos. Mas conseguiu resolver meu problema localizando um moto-táxi, que no sol do meio-dia de Alagoas, eu recebi como se fosse uma limusine.
Outro exemplo prático: eu machuquei meu pé e pedi se tinham um band-aid. Quando voltei pro quarto, já tinha dois curativos me esperando sobre a mesinha. Era como gritar “manheeee” e ver seu problema resolvido hehe.
O quarto era arrumado tanto de dia quanto de noite. A camareira ou algum funcionário às vezes levava um agradinho para a gente. Nessa noite, foi uma pequena porção de mousse de limão.
O serviço de transfer do aeroporto para o hotel é terceirizado, mas os motoristas foram muito gentis e pontuais, e os carros eram ótimos. Não está incluso na diária.
Sobre o destino: o que saber sobre Milagres
Milagres era um segredo bem guardado do litoral alagoano, mas tem despontado em feeds de famosos e roteiros de lua de mel. E o Mahré faz parte de uma safra de pousadas de charme e hotéis que oferecem luxo sem ostentação.
Diferente de destinos onde os resorts mudam o cenário da praia, em Milagres, pouquíssimos chamam atenção da faixa de areia: a impressão que dá é que eles se camuflam na natureza.
Localizada a uma hora e meia de Maceió, a chamada Rota dos Milagres tem 23 km de praias e sossego. Em alguns trechos, você só vê o oceano, areia e coqueiros. Não sei você, mas eu não preciso de mais nada.
Essa região conta também com muitas piscinas naturais, acessadas por meio de jangadas na maré baixa. Isso porque faz parte da Costa dos Corais, que é a maior unidade de conservação marinha costeira do Brasil.
A não ser que você queira ficar a viagem toda no hotel (pegar praia no hotel, almoçar e jantar por lá), ter um carro é bem importante. Pelo menos quando eu viajei, em fevereiro de 2026, ainda não tinha transporte por aplicativo e os táxis eram poucos e caros.
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Outra coisa para ficar ciente é que não existe um centrinho desenvolvido e bonito como em Jericoacoara (CE) ou Praia da Pipa (RN). Recentemente, foi construída a Vilinha do Marceneiro, é um trecho de pouco mais de 100 metros da avenida principal (AL-101) com lojinhas padronizadas e restaurantes. É pequeno, mas bem fofo, então ajudou um pouco.
Você lê todas as dicas para a sua viagem neste guia gratuito que eu fiz com muito amor, carinho e saudade. E, antes de me despedir, segue novamente o link para consultar valores da diária e fazer reserva no Mahré Hotel & Spa.
Se você já foi a Milagres, escreve nos comentários o que achou. Pode deixar mais dicas, também, para ajudar os outros viajantes. Um abraço e até a próxima!
Fonte: Viajali, Melhores Destinos

