O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, é um dos mais frequentes no país e está associado ao estilo de vida.
Ele se desenvolve no intestino grosso, isto é, no cólon ou em sua porção final, o reto, e não costuma causar sintomas na fase inicial.
Veja também: Como prevenir o câncer de intestino
É uma doença heterogênea e multifatorial, que se desenvolve predominantemente a partir de mutações genéticas em lesões benignas, como pólipos. O adenocarcinoma corresponde a mais de 90% dos casos diagnosticados
Mais comum em pessoas acima dos 50 anos, esse tipo de câncer tem aumentado, em especial entre a população mais jovem.
Além de mudanças no estilo de vida, há um exame que serve tanto para detectar como para prevenir esse tipo de câncer: a colonoscopia.
Aumento de casos de câncer de intestino
De acordo com as novas projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 26,3 mil novos casos da doença em homens e 27,5 mil em mulheres entre 2026 e 2028.
Esses números são maiores do que os das projeções anteriores do instituto.
Com relação à mortalidade no Brasil, em 2023 ocorreram 23.953 óbitos por cânceres de cólon e reto. Entre os homens, foram registrados 12.094 óbitos (11,71 por 100 mil homens), e, entre as mulheres, 11.859 óbitos (10,94 por 100 mil mulheres), de acordo com o Inca.
Dados dos Estados Unidos também mostram um aumento de casos entre os mais jovens. Uma projeção publicada pela American Cancer Society (Sociedade Americana do Câncer) estima que, em 2026, mais de 158 mil pessoas serão diagnosticadas com câncer colorretal nos Estados Unidos. Destas, cerca de 45% serão indivíduos com menos de 65 anos, o que representa um aumento de 27% nos diagnósticos nessa faixa etária quando comparado com os dados do ano de 1995.
Na Europa, a tendência parece ser a mesma: um estudo mostrou que a incidência do câncer colorretal em pessoas mais jovens, incluindo aqueles com menos de 40 anos, aumentou muito no continente entre 1990 e 2016.
Colonoscopia: prevenção e rastreamento
A colonoscopia é um exame que, ao detectar o câncer de intestino, auxilia no rastreamento da doença. Além disso, ela preveni o câncer, ao remover pólipos pré-cancerígenos.
A maioria das sociedades médicas, como a Sociedade Americana do Câncer, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), entre outras, recomendam o início do rastreamento com colonoscopia a partir dos 45 anos.
No entanto, o Ministério da Saúde indica o exame de rastreio para a população geral (pessoas sem histórico familiar da doença) a partir dos 50 anos.
A periodicidade para a realização do exame deve ser individualizada e considerar os fatores de risco, mas, no geral, a colonoscopia deve ser repetida a cada 10 anos, caso a pessoa não apresente pólipos.
Pessoas com doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn, retocolite ulcerativa e outras) precisam realizar o rastreamento com mais frequência. Famílias que apresentam vários membros com múltiplos pólipos intestinais (polipose familiar), também, conforme orientação médica.
Parentes de primeiro grau de familiares que tiveram câncer colorretal devem ser acompanhados com mais cuidado, a partir de uma idade mais precoce. Embora não haja unanimidade, a maioria dos especialistas aconselha que o primeiro exame nesses casos seja realizado cinco a dez anos antes da idade em que o parente mais jovem recebeu o diagnóstico.
Fatores de risco para o câncer de intestino
Os indivíduos que correm maior risco de desenvolver a doença são aqueles:
- Com mais de 50 anos;
- Que tiveram pólipos no intestino, câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal crônica;
- Com histórico familiar da doença ou de pólipos;
- Com diabetes tipo 2.
Além dos fatores citados, há outros que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença, como::
- Sobrepeso e obesidade;
- Sedentarismo;
- Consumo excessivo de carne vermelha ou carnes processadas;
- Baixo consumo de alimentos ricos em fibras, como cereais integrais, leguminosas, frutas e vegetais (
- Tabagismo;
- Consumo excessivo de álcool.
Outros exames
Embora esteja disponível pelo SUS, nem sempre é fácil conseguir marcar a colonoscopia, que exige preparo e sedação, mas não internação hospitalar. A espera pode demorar mais de um ano, e muitas regiões não contam com colonoscópio (aparelho usado para fazer o exame) ou especialistas, o que torna o acesso pelo SUS muito difícil. Assim, muitos pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já está avançada, reduzindo muito as chances de cura, que podem chegar a 90% quando se detecta o tumor no início.
Desse modo, embora a colonoscopia seja o exame mais indicado para a prevenção e o rastreamento do câncer colorretal, na sua ausência há outros exames disponíveis que auxiliam no diagnóstico do câncer de colorretal.
- Exame de sangue oculto nas fezes ou exame de sangue nas fezes com análise de DNA: o exame procura detectar a presença de sangue ou de alterações genéticas nas fezes;
- Sigmoidoscopia: exame endoscópico que examina o reto e o sigmoide (parte final do intestino grosso;
- Colonoscopia virtual (ou colonografia por TC): exame não invasivo que usa a tomografia computadorizada para ober imagens do cólon e do reto e detectar a presença de massas ou pólipos.
Veja também: Câncer de intestino é um dos mais frequentes no Brasil

