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Em meio à vegetação nativa da Serra da Mantiqueira, esta casa de 607 m² se integra à paisagem como se sempre tivesse pertencido a ela.
Projetada pelo time liderado por Maria Magalhães, do M Magalhães Estúdio, e Beto Cabariti (sysHaus), com participação de equipes multidisciplinares de arquitetura, engenharia e interiores, a residência nasce do desejo de um casal por um refúgio para longas temporadas e encontros familiares. Filhos, netos e até um bisneto fazem parte desse núcleo que buscava uma casa acolhida pela montanha, e não imposta a ela.
A implantação, guiada pela sensibilidade e pela leitura do terreno, respeita o declive acentuado e preserva a mata nativa. Em vez de ocupar o ponto mais alto, a casa se posiciona no nível em que os proprietários sentiram proteção e silêncio, como se o relevo os envolvesse em um gesto acolhedor. A partir dessa escolha intuitiva, todo o projeto se desenvolve em diálogo direto com a paisagem.
A construção de 53 metros de extensão acompanha a topografia e revela vistas capazes de restaurar a respiração e ampliar a percepção do entorno.
Reforma preserva essência de casa da década de 1970
Para atender às necessidades de agilidade e às dificuldades de acesso ao local, o sistema construtivo paramétrico da sysHaus foi fundamental. Suas peças são produzidas em ambiente controlado e montadas no terreno, garantindo precisão, leveza, mínimo desperdício e um tempo de obra surpreendente de apenas 270 dias. Essa tecnologia orienta não apenas a construção, mas também a atmosfera dos interiores, que priorizam acolhimento, amplitude e continuidade visual.
A materialidade reforça o vínculo com o entorno. A madeira aparece nas réguas maciças de jequitibá da marcenaria e no piso Akafloor, enquanto o granito Cinza Adorinha intensifica a conexão com elementos naturais. O porcelanato Portinari, o fogão a lenha executado por mão de obra local e o mobiliário cuidadosamente escolhido compõem um cenário que combina rusticidade sofisticada e desenho contemporâneo.
Dentro da casa, o gosto do morador pelo design, pela arte e pela cultura se manifesta em cada detalhe. A curadoria, definida por ele como uma composição de antiguidade contemporânea, reúne peças icônicas de Sergio Rodrigues, Carlos Motta, Charles Eames, Eero Saarinen e outros nomes fundamentais da história do design.
A coleção convive com tapetes caucasianos raros, livros, discos, cestarias vindas do interior do Brasil e da África e objetos simbólicos, como o sapo em madeira que representa proteção e transformação. Nada é escolhido ao acaso, cada item carrega afeto, memória e significado.
A integração entre interior e exterior é constante. As aberturas posicionadas com precisão permitem que o verde se infiltre suavemente nos ambientes, criando um diálogo que pode ser contemplativo, decorativo ou medicinal, conforme o paisagismo pensado para preservar e reforçar o bioma da Mantiqueira, sobretudo suas araucárias. A luz natural percorre toda a casa e acentua a sensação de continuidade entre arquitetura e natureza.
Fonte: Abril, Tu Organizas

