O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Feierstein, afirmou nesta semana que a discussão sobre voos internacionais no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ainda é “prematura”. Em entrevista à CNN Brasil, o chefe da agência disse que não há data “nem sequer para começar uma análise”.
Operações para o exterior são uma das ambições da Aena, concessionária de Congonhas. A expectativa da empresa é que isso aconteça a partir de 2028, após as obras em andamento para, entre outras coisas, ampliar a capacidade do terminal. Com uma infraestrutura renovada, a concessionária quer conexões diretas para países como a Argentina.
Projeção do Aeroporto de Congonhas após as obras
Na visão do presidente da Anac, porém, antes de discutir algo tão impactante para o segundo maior aeroporto do país em número de passageiros, a prioridade está na conclusão da implantação do IFR (Instrument Flight Rules) no Aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, e verificar as consequências disso, sobretudo para Congonhas e Guarulhos.
O que é o IFR e quais os impactos para os aeroportos de São Paulo?
O IFR é uma tecnologia que permite que aeronaves possam operar sob baixa visibilidade, causada, sobretudo, por meteorologia. Isso permitirá ao Campo de Marte, por exemplo, ampliar o seu volume de voos, mas tomaria lugar de Congonhas e Guarulhos, que usam o mesmo espaço aéreo. Essa briga já está em Brasília e vem sendo travada nos bastidores com as autoridades aeronáuticas.
A principal consequência dessa mudança envolvendo o Campo de Marte é uma eventual perda de slots (espaços de pouso e decolagem) em Congonhas e Guarulhos.
Congonhas, por exemplo, opera em sua capacidade máxima, e se já é difícil ampliar operações, o avanço do Campo de Marte pode minar as intenções da Aena. Uma saída seria redesenhar as aerovias da capital paulista para acomodar todos os desejos.
Uma redução de capacidade nos dois maiores aeroportos de São Paulo teria, inclusive, impactos jurídicos. As mudanças exigiriam um reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos da Aena e da GRU Airport.
O presidente da Anac também destacou que dedicar parte dos horários para voos internacionais pode representar uma oferta para rotas domésticas – foco de Congonhas atualmente – e o aumento no preço das passagens.
Procurada pelo Melhores Destinos a respeito das falas do presidente da Anac, a Aena disse que não vai comentar.
Congonhas já tem aval do governo federal para internacionalização
No fim do ano passado, a Secretaria de Aviação Civil (SAC), vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) deu parecer favorável para que Congonhas tenha voos internacionais. “O parecer, no entanto, não representa a autorização final para a operação de voos internacionais” no aeroporto, afirmou o ministério.
O aval da pasta foi apenas um primeiro passo. A Aena ainda precisa peregrinar por órgãos como, Polícia Federal, Receita Federal e Vigiagro para obter as licenças específicas. Até agora, essas autoridades ainda não foram consultadas.
De acordo com a CNN, pelo menos uma dessas autarquias também tem ressalvas porque considera não ter equipes suficientes para deslocar pessoal ao aeroporto de Congonhas para a operação internacional.
“A manifestação da SAC reconhece que a proposta da Aena está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Aviação Civil (PNAC) e ao Plano Aeroviário Nacional (PAN), após a análise técnica dos estudos de demanda, utilização da infraestrutura e do plano de ampliação do aeroporto”, disse a Aena à época.
A intenção da Aena é operar ligações de curta e média distância na América do Sul. Uma das possibilidades, como explicamos acima, é a Argentina, e mais especificamente, Buenos Aires.
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Fonte: Viajali, Melhores Destinos

