Alterações hormonais podem afetar a visão das mulheres ao longo da vida

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Alterações hormonais podem afetar a visão das mulheres ao longo da vida

Todas as fases da vida da mulher são marcadas por variações hormonais. O que muitas pessoas não sabem é que essas alterações podem afetar a visão. Mudanças associadas à puberdade, ao uso de anticoncepcionais, à gravidez e à menopausa podem interferir na produção de lágrimas, na estrutura da córnea e até na circulação sanguínea da retina.

Os hormônios que mais variam são principalmente o estrogênio e a progesterona. Essas variações podem influenciar a saúde dos olhos de diferentes formas, inclusive nas características da córnea e da lente natural do olho, que ajudam a focalizar a visão. Segundo Rodrigo Faeda Dalto, oftalmologista, membro da Sociedade Brasileira de Catarata e da Cirurgia Refrativa e da Academia Americana de Oftalmologia, na prática, isso pode contribuir para alterações do grau dos óculos, oscilação visual, desconforto ocular e piora do olho seco.

O especialista explica que o sinal de alerta aparece quando essas mudanças são intensas, persistentes ou fora do esperado para aquele momento. “A investigação também é importante quando a alteração visual aparece junto de outros sinais que possam sugerir um problema hormonal ou metabólico, como irregularidade menstrual, palpitações, variação de peso ou sinais de descontrole da glicose”, destaca.

 

Olho seco e sensibilidade à luz

Existe uma relação entre alterações hormonais e sintomas como olho seco e sensibilidade à luz. Isso acontece porque as mudanças podem interferir no funcionamento das glândulas que produzem a camada oleosa da lágrima. De acordo com Dalto, quando essa produção se desequilibra, a lágrima perde qualidade, evapora mais rapidamente e deixa de proteger a superfície ocular de forma adequada.

“Como consequência, os olhos ficam mais ressecados e a superfície ocular mais vulnerável à inflamação. É esse processo que ajuda a explicar sintomas como ardor, sensação de areia, visão borrada intermitente e sensibilidade à luz.

Segundo Patrícia Baines Gracitelli, endocrinologista especialista em medicina do estilo de vida, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o olho precisa de uma “hidratação inteligente” para funcionar bem, e essa hidratação depende totalmente do equilíbrio dos seus hormônios. “Quando os hormônios caem ou oscilam, as glândulas param de trabalhar direito, o óleo falta e a lágrima evapora rápido demais. O olho, então, fica ‘no seco’, como uma pele descascando”, esclarece.

A sensibilidade à luz é outra consequência disso. “Como o olho está seco, a córnea (que é a ‘janela’ transparente da frente do olho) fica irritada, cheia de microferidas e inflamada. Uma lente inflamada não consegue filtrar a claridade corretamente. É como tentar olhar através de um vidro rachado e sujo sob o sol: a luz bate nessas irregularidades, espalha de um jeito que incomoda e causa dor”, explica. Em resumo: os hormônios controlam a lubrificação; sem ela, o olho inflama; e um olho inflamado não suporta o excesso de luz.

Veja também: Diagnóstico precoce de doenças oculares pode evitar perda de visão – DrauzioCast #198

 

O impacto dos distúrbios hormonais

Doenças hormonais também podem afetar a visão de forma importante, conforme os profissionais. Nos distúrbios da tireoide, especialmente quando há acometimento ocular, podem surgir sintomas como olho seco, vermelhidão, sensibilidade à luz, sensação de pressão atrás dos olhos, visão dupla e até alteração na posição dos olhos ou das pálpebras, pois a doença pode provocar inflamação dos tecidos ao redor dos olhos.

Já na resistência à insulina e no diabetes, a alteração da glicose no sangue pode causar visão borrada temporária, porque interfere no funcionamento da lente natural do olho. Quando esse descontrole persiste, o problema pode atingir a retina. Nessa situação, os vasos da retina podem sofrer lesões, com sangramentos, vazamento de líquido e risco de perda visual. Esse quadro é conhecido como retinopatia diabética e, quando não tratado adequadamente, pode evoluir de forma silenciosa e comprometer a visão.

 

Mudanças em diferentes fases da vida

As transições hormonais ao longo do tempo impactam a visão desde o crescimento dos olhos até a saúde da retina. Na puberdade, o estirão de crescimento estimulado pelos hormônios pode acelerar o alongamento do globo ocular, o que explica por que a miopia costuma progredir ou surgir nessa fase, especialmente em meninas, destaca a médica.

Já o uso de anticoncepcionais, segundo ela, requer atenção ao histórico vascular e ao tempo de uso, pois formulações de dosagens mais altas podem influenciar levemente o risco de alterações na circulação da retina ou na pressão ocular.

“A gravidez pode causar mudanças temporárias, como a oscilação do grau dos óculos, menor tolerância a lentes de contato e até uma queda natural na pressão dos olhos; porém, condições como a pré-eclâmpsia exigem cuidado redobrado por seu potencial de afetar a retina de forma patológica”, alerta Gracitelli. 

Por fim, a menopausa representa o período de maior vulnerabilidade: a perda da proteção do estrogênio e dos androgênios favorece o surgimento do olho seco, o aumento da pressão intraocular e o maior risco de doenças degenerativas. Em todas essas etapas, o acompanhamento integrado entre endocrinologia e oftalmologia é essencial para preservar a saúde ocular.

Veja também: Por que as mulheres são mais propensas ao Alzheimer?



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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