Afinal, para que serve o apêndice e quando ele se torna um problema?

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Afinal, para que serve o apêndice e quando ele se torna um problema?

Durante anos, o apêndice carregou a fama de órgão inútil. Hoje, a ciência começa a mostrar que essa pequena estrutura pode ter, sim, um papel na imunidade intestinal, ainda que sua ausência não traga grandes prejuízos.

Segundo Lucio Lucas Pereira, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília (DF), o apêndice é uma estrutura anatômica bem definida. “O apêndice (ou apêndice vermiforme) é uma pequena ‘bolsinha’ em forma de tubo ligada ao começo do intestino grosso, numa região chamada ceco, bem perto da transição entre intestino delgado e grosso. Em geral, fica no lado inferior direito do abdome, embora a posição possa variar de pessoa para pessoa”, explica. 

Essa variação de posição é relativamente frequente na prática médica e pode, inclusive, influenciar a forma como a apendicite se manifesta, segundo estudos anatômicos recentes. Variações na posição do apêndice podem mudar a localização da dor abdominal e outros sinais clínicos porque a irritação das estruturas internas varia conforme o local onde o órgão está. Por exemplo, um apêndice em posição pélvica às vezes causa dor mais baixa ou até em outras áreas do abdômen, o que pode dificultar o reconhecimento clássico da apendicite. 

 

Para que serve o apêndice

Para Antonio Hirt, gastroenterologista disponível na plataforma Doctoralia, a ideia de que o apêndice não teria função já não se sustenta. “A visão de que o apêndice era um órgão inútil, está completamente ultrapassada.”

Ele explica que uma das hipóteses mais aceitas atualmente envolve o papel do apêndice na manutenção da flora intestinal. “Alguns cientistas, atualmente, sustentam que ele atua como um ‘santuário’ para bactérias benéficas do intestino.” Em situações de diarreia intensa, esse reservatório poderia ajudar na recuperação do equilíbrio intestinal. 

“Apesar de por muito tempo ter sido visto como um órgão sem função, hoje há evidências de que o apêndice participa do sistema imunológico do intestino e pode ajudar a manter o equilíbrio do microbioma, ou seja, ajuda a manter o equilíbrio da flora bacteriana intestinal”, complementa Pereira.

Ainda assim, o médico ressalta que não se trata de um órgão essencial. “A retirada do apêndice costuma não causar prejuízos relevantes no dia a dia.” 

Veja também: Por Que Dói? #30 | Apendicite

 

Quando o apêndice inflama: sintomas e tratamento da apendicite

O principal problema associado ao apêndice é a apendicite (inflamação do órgão). Os sintomas mais comuns seguem um padrão relativamente conhecido: dor abdominal que pode começar no centro do abdômen e depois migrar para o lado inferior direito, perda de apetite, náuseas, vômitos e febre (geralmente baixa no início). Outro sinal importante é a piora da dor com o movimento, como ao caminhar ou tossir. 

O problema geralmente ocorre devido a uma obstrução. De acordo com Henrique Dametto, cirurgião do aparelho digestivo e proctor em cirurgia robótica no Hospital Israelista Albert, Einstein, essa obstrução pode acontecer por diversos fatores, dentre eles fezes endurecidas, infecções intestinais, aumento do tecido linfático, que é o tecido de proteção do corpo humano, ou raramente por alguns tipos de tumores dessa localidade do apêndice. 

“Quando isso acontece, há uma proliferação de bactérias e uma inflamação. Sem o tratamento adequado, [o quadro] pode evoluir para complicações mais graves, como perfuração, uma infecção abdominal chamada peritonite, ou até mesmo infecção generalizada”, alerta. 

Diante dos sinais, a recomendação é procurar atendimento rapidamente. “É fundamental procurar atendimento no mesmo dia sempre que houver dor abdominal progressiva especialmente do lado inferior direito ou associada a febre, vômitos, prostração, piora importante ou ‘abdômen duro’”, orienta Pereira. 

O tratamento mais indicado mais comum e definitivo é a remoção cirúrgica do apêndice. Segundo Dametto, o procedimento costuma ser feito por laparoscopia, que é uma técnica minimamente invasiva, realizada através de pequenos cortes no abdômen e que costuma causar menos dor no pós-operatório, além de permitir uma recuperação mais rápida em comparação com cirurgias abertas.



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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