Para pacientes com artrose, praticar atividade física pode ser desanimador, já que é preciso enfrentar a dor, a rigidez e a limitação dos movimentos — especialmente quando o exercício físico indicado é a musculação, um tipo de atividade que envolve o constante aumento de cargas.
No entanto, da mesma forma que a ciência já sabe que a atividade física funciona como tratamento para doenças causadoras de dor crônica, ela também descobriu que existem opções mais adequadas do que a musculação para casos como esses.
A redução da dor através da atividade física se compara a anti-inflamatórios e analgésicos, com o diferencial de não provocar nenhum efeito colateral grave. Isso faz muita diferença em idosos, por exemplo, que tendem a apresentar outras comorbidades. Há ainda efeitos neuromotores e psicológicos, combatendo sintomas de depressão muito associados a pacientes com dor.
Todos esses benefícios podem ser adquiridos não necessariamente com um treino de academia, mas com uma atividade aeróbica.
Treino aeróbico x musculação
“A melhor pergunta não seria se o exercício funciona, mas sim quais são as melhores combinações. O treinamento de força aumenta a capacidade de absorção de carga, a redução da contração adaptativa e a melhora do controle motor. Já o exercício aeróbico, como a caminhada, a bicicleta e o elíptico, atua na modulação da dor e reduz o processo inflamatório crônico”, explicou Fábio Jennings, coordenador da Comissão de Medicina Física e Reabilitação da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), durante o II Fórum de Osteoartrites do Atlântico Sul, em São Paulo.
Um estudo feito com mais de 15 mil pacientes com osteoartrite de joelho comparou as modalidades de força, aeróbio, treino neuromotor, meditação e mistos. A curto, médio e longo prazo, pensando na melhora da dor, da funcionalidade e da qualidade de vida, os exercícios aeróbicos foram os que mostraram os melhores resultados.
As atividades de flexibilidade, muitas vezes desprezadas, também apresentaram boas repercussões, principalmente por não estimularem a dor e ajudarem os pacientes a sair do sedentarismo. A meditação e os treinos aquáticos oferecem evolução clínica importante, auxiliando ainda no equilíbrio e na saúde cardiovascular, respectivamente.
A musculação continua sendo uma ferramenta positiva, mas, inicialmente, pode aumentar a sensibilidade do paciente com artrose à dor. A indicação, portanto, é começar com o treino aeróbico e depois partir para modalidades mistas, adicionando treinos de força, neuromotores, meditativos ou aquáticos.
“O melhor exercício é aquele que você consegue manter. Muitas vezes, o paciente não consegue se engajar no treino de força, ir para a academia, fazer um exercício de fortalecimento. Mas uma caminhada, uma bicicleta ergométrica, o exercício aquático, o elíptico, que são mais prazerosos e não dependem diretamente de um instrutor, ele consegue manter por mais tempo”, destaca Jennings.
E já que a atividade física tem efeitos semelhantes aos medicamentos, o especialista ressalta que ela deve ser prescrita como tal. Ao sair da consulta, o paciente deve saber o tipo de atividade recomendada para o seu caso, a frequência de realização (de duas a três vezes por semana nos exercícios de força e de três a cinco vezes para os treinos aeróbicos), o tempo de cada sessão e a intensidade dos exercícios.
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