Ler Resumo
Esculturais, precisas e imponentes, mas ainda assim leves no olhar, as estantes de serralheria vêm ganhando uma nova leitura nos projetos contemporâneos. Nos projetos assinados pelo arquiteto Raphael Wittmann, à frente da Rawi Arquitetura + Design, elas deixam de funcionar como apoio para a marcenaria para ocupar a própria composição com desenhos contínuos, vazados e estruturais que percorrem o ambiente, conectam funções e originam um ritmo arquitetônico.
O segredo para uma peça perfeita e sob medida está na execução cuidadosa e um entendimento profundo sobre como o metal se comporta em grandes dimensões.
“A serralheria oferta uma presença diferente no móvel, pois além de organizar o ambiente com leveza, assimila a função de dividir sem separar”, pontua o profissional. De acordo com ele, o projeto demanda uma precisão absoluta por se tratar de peças pesadas e comumente montadas in loco. “Depois de pronta, a estante fica impecável por décadas”, completa.
Vantagens
Embora as estantes de marcenaria sigam como um clássico, o arquiteto explica que a serralheria proporciona benefícios que nenhuma madeira se iguala, especialmente quando se deseja amplitude, continuidade e alta resistência.
Leveza visual em grande escala
A estrutura metálica permite a elaboração de linhas finas, vãos altos e módulos vazados que atravessam o ambiente sem bloquear a permeabilidade visual;
Mais liberdade no desenho
Raphael argumenta que o metal aceita cantos mais longos, módulos altos, mudanças de direção e peças compridas, algo difícil de alcançar, sem emendas aparentes, em marcenarias extensas;
Capacidade de carga e estabilidade
Com a serralheria é possível conceber módulos para suportar livros, esculturas e outros objetos pesados sem o risco do empenamento da peça.
Muito mais que um mobiliário
“Sem contar que sua forma é, indiscutivelmente, um elemento que entrega personalidade ao projeto”, argumenta. Em vez de preencher uma parede, a estante participa da arquitetura do ambiente, funcionando como divisórias e arcos.
“O que eu mais gosto na serralheria é a liberdade de desenhar peças que acompanham o projeto de ponta a ponta, além da identidade única e da organização elegante que a sua constituição permite”, ressalta o profissional.
Montagem e precisão milimétrica
Diferentemente de uma estante tradicional, a serralheria não chega pronta ao apartamento. Devido ao peso, volume e às dimensões fora do padrão, a estrutura precisa ser planejada em módulos para transporte, elevador, circulação e, em alguns casos, a única solução é içar a peça até o andar do cliente.
Personalização e acabamento
Como são feitas sob medida, as estantes metálicas podem seguir diferentes configurações de uso como nichos de variados tamanhos; módulos vazados ou fechados; integração com marcenaria e áreas específicas para objetos de coleção, plantas ou aparelhos.
Chegado o momento de escolher o acabamento da peça, o arquiteto pontua que prioriza a pintura eletrostática conhecida pelo acabamento uniforme, resistência a riscos e durabilidade superior. “O processo assegura o aspecto original da estante, mesmo com o uso intenso”, explica Raphael.
Mas além dela, as estantes também aceitam outros tipos de acabamento metálico como tonalidades mais foscas e texturizadas, a depender do efeito desejado pelo cliente.
Mão de obra especializada
Para que uma estante seja calculada adequadamente, é preciso considerar um processo técnico exigente. Segundo o arquiteto, a parceria com o serralheiro é uma etapa decisiva, uma vez que o profissional será responsável por garantir soldas invisíveis e rigidez estrutural para suportar peso sem deformações.
Fonte: Abril, Tu Organizas

