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Com 250 m², este apartamento no Morumbi, em São Paulo, foi redesenhado pela arquiteta Marcela Penteado para um casal com dois filhos que, vindos do interior, buscavam recriar no cotidiano urbano a sensação de acolhimento e permanência das casas onde cresceram. A reforma parte desse desejo e o traduz em uma arquitetura que aproxima a vida na cidade de uma experiência mais lenta, afetiva e contínua de morar.
A materialidade é o fio condutor desse projeto. A madeira em freijó natural aparece em painéis ripados de desenho mais largo, criando uma textura mais calorosa e presente nos ambientes. No piso, o porcelanato que remete ao cimento queimado estabelece uma base contínua e neutra, evocando a solidez das casas simples de antigamente.
Juntos, esses elementos operam como uma tentativa de suavizar o concreto da cidade com uma atmosfera mais próxima da terra, conectando memória e presente.
O living, integrado à sala de jantar, organiza-se como um grande espaço de convivência, onde a marcenaria define ritmo e continuidade.
Mais do que revestimento, os painéis estruturam o ambiente e incorporam elementos como a cristaleira, desenhada como um nicho embutido com fundo em muxarabi branco e prateleiras de vidro, quase suspensa.
O aparador em quartzito Via Appia atravessa esse plano de forma precisa, criando um gesto que rompe a linearidade e introduz uma dimensão mais escultórica ao conjunto.
Levemente recuada, a área gourmet funciona como o centro da casa. Integrada ao estar, mas com certa autonomia, ela organiza os momentos de encontro em torno da comida e da convivência, estabelecendo um ritmo mais desacelerado no interior do apartamento.
A lógica do projeto privilegia a adaptação ao uso real. Um dos quartos foi desenhado para assumir dupla função, como escritório e dormitório de hóspedes, com uma porta de correr que permite o funcionamento independente dos ambientes.
Ao reorganizar fluxos, integrar ambientes e trabalhar a materialidade com precisão, a reforma constrói um apartamento que responde às dinâmicas do dia a dia sem abrir mão da dimensão afetiva.
Um projeto em que cada escolha, do desenho dos espaços aos materiais, contribui para transformar a rotina em experiência, aproximando o morar urbano daquilo que se reconhece, intuitivamente, como casa.
Fonte: Abril, Tu Organizas

