Colecistectomia: como funciona a cirurgia para retirada da vesícula

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Colecistectomia: como funciona a cirurgia para retirada da vesícula

A pedra na vesícula (ou cálculo biliar) pode surgir de forma silenciosa e não apresentar sintomas por um período. Quando eles aparecem, normalmente começam com dor abdominal após as refeições, especialmente associada ao consumo de alimentos gordurosos. Outros sinais incluem náuseas, vômitos e sensação de digestão lenta. Diante do quadro, o tratamento mais adequado é a colecistectomia (cirurgia para retirada da vesícula). 

Não há outra forma para tratar pedra na vesícula. Não dá para retirá-las lá de dentro e nem ‘dissolvê-las’. Por isso, a cirurgia é indicada. Ela evita complicações inerentes às pedras, como infecção, migração da pedra, pancreatite e outros”, explica Iuri Tamasauskas, coordenador de cirurgia geral do Hospital Albert Sabin (HAS-SP).

 

Falta de tratamento traz riscos à saúde 

A crise de vesícula não tende a melhorar espontaneamente e, com o passar do tempo, o problema pode levar a complicações potencialmente graves. 

“Esse quadro pode evoluir para uma infecção da vesícula, chamada colecistite aguda. Além disso, uma pedra pode sair da vesícula e obstruir os canais biliares, levando a problemas mais sérios, como pancreatite ou colangite [inflamação dos ductos biliares]”, alerta o médico.

Essas condições podem exigir internação hospitalar, uso de antibióticos e até procedimentos de urgência.

 

Como é feita a colecistectomia

O procedimento para retirar a vesícula é considerado padrão e, na maioria dos casos, realizado por via minimamente invasiva (laparoscopia): são feitas pequenas incisões no abdômen, onde são inseridos os instrumentos cirúrgicos e uma microcâmera, para que o cirurgião visualize e remova o órgão. 

“Quando o paciente já apresenta sintomas, a indicação cirúrgica costuma ser o melhor caminho para evitar novas crises e complicações. É uma cirurgia segura, amplamente realizada e com bons resultados”, afirma o especialista. 

Antes da cirurgia, são solicitados exames como coleta de sangue, eletrocardiograma e raio-X, para checar se o indivíduo está apto para o procedimento. No dia, também é necessário jejum de 8 horas

A colecistectomia é feita com anestesia geral, dura aproximadamente de 40 a 60 minutos e o paciente geralmente tem alta no dia seguinte.

Veja também: Quais são os tipos de anestesia e sedação mais utilizados?

 

Como é a recuperação após a colecistectomia

Depois do procedimento, recomenda-se manter uma dieta pobre em gorduras, além de evitar maiores esforços físicos por cerca de um mês (como levantar pesos ou praticar esportes). 

O especialista esclarece que é normal sentir dor como em qualquer pós-operatório, mas essa dor deve ser controlada com analgésicos. Em casos de febre, secreção nas feridas operatórias ou dor persistente, a orientação é buscar o pronto-atendimento. 

A recuperação costuma ser rápida, especialmente quando a cirurgia é feita por laparoscopia. A maioria dos pacientes consegue retomar suas atividades habituais em poucos dias, sempre com orientação médica.

“O principal ponto é não esperar a doença evoluir. Quanto mais precoce o tratamento, menor o risco de complicações e mais tranquila é a recuperação”, afirma Tamasauskas. Ele destaca ainda que é possível viver normalmente sem a vesícula

 

Existe contraindicação?

Em casos específicos, quando o paciente tem um quadro clinicamente “ruim” — por exemplo, uma pessoa idosa com multicomorbidades —, a cirurgia pode ser contraindicada. “[Nessa situação], podemos lançar mão de um procedimento de urgência apenas para sair do momento crítico da infecção: a colecistostomia, que seria a punção guiada por ultrassom ou tomografia, deixando um dreno na vesícula”, explica o cirurgião. 



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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