O governo de Goiás, ainda durante a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), colocou em pauta a revisão das regras previstas no plano de manejo da Área de Proteção Ambiental, o que pode permitir a mineração na Chapada dos Veadeiros. A informação foi obtida pelo jornal Folha de S. Paulo.
Conforme informações obtidas pelo jornal, há mais de 496 projetos ativos de pesquisa e exploração, dos quais ao menos 131 estão ligados a minerais críticos na região, que é conhecida pela biodiversidade e considerada Patrimônio Natural Mundial pela Unesco.
Para que os projetos avancem, o governo iniciou a revisão do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto, uma unidade de conservação estadual que atua como um cinturão ao redor do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
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Atualmente, as normas aplicadas à área impedem a execução de atividades de alto impacto, entre elas a mineração. A revisão proposta pelo governo tenta substituir a proibição por um modelo de compatibilização entre a mineração e a conservação ambiental.
Documentos obtidos pela Folha mostram que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás criou um grupo de trabalho para discutir a mineração na área, o que seria “juridicamente possível” caso o plano de manejo seja alterado.
Os 496 processos minerários citados somam 527 mil hectares cercando todo o parque nacional e já foram registrados na Agência Nacional de Mineração para pesquisa e exploração dentro da APA. Dos 131 ligados aos minerais críticos, 31 são de terras raras e cassiterita, enquanto outros 98 têm como foco o manganês. Os outros dois projetos miram, entre outras substâncias, o níquel.
Em 2025, a gestão de Caiado já havia aprovado uma lei para criar a Autoridade Estadual de Minerais Críticos e um fundo estadual voltado ao setor. Neste ano, o ex-governador e pré-candidato à Presidência da República mediu forças com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao assinar um memorando sobre minerais críticos prevendo exclusividade ao governo dos EUA durante um evento com Marco Rubio.
Em nota enviada à Folha, a gestão estadual de Goiás, agora nas mãos do governador Daniel Vilela (MDB), afirmou que “não se trata de flexibilizar, mas de discutir com a comunidade se o exercício da atividade na região é interessante ou não.”
“A Semad tem feito a gestão do território pautada pelo diálogo com os moradores e pelo entendimento de que as decisões têm que ser tomadas coletivamente”, afirma trecho da nota.
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Segundo a secretaria, a Área de Preservação Ambiental de Pouso Alto tem um plano de manejo de 2016, que passa por revisões a cada cinco anos, e que o governo de Goiás apenas trouxe o tema mineração para discussão no momento em que cumpre o dever legal de revisitar o plano.

