A inflação da China acelerou a 1,2% em abril na comparação mensal, influenciado pelo aumento do petróleo e dos custos de energia causado pela guerra no Irã.
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor, foi impactado pela disparada de 19,3% do preço do gás. Com isso, a inflação acumulada nos últimos 12 meses foi a 2,8%, ante 0,5% do registrado em março.
“[O aumento se deve a] mudanças nos preços mundiais do petróleo e na maior demanda de viagens por causa das férias”, afirmou Dong Lijuan, chefe de estatísticas do Escritório Nacional de Estatísticas.
O fechamento do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo, levou os chineses a recorrerem a outros países para ter o commodity. A importação do produto do Brasil aumentou 122% em volume no primeiro trimestre, saindo de 7.400 toneladas para 16,5 mil toneladas, de acordo com dados do governo federal compilados pelo CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China).
Já os preços ao produtor da China subiram para uma máxima recorde de 45 meses em abril, com alta de 2,8% no mês passado na comparação com abril de 2025.
Foi o segundo mês de elevação nos preços após uma série de 41 meses de queda ter sido interrompida em março.
“As consequências da guerra do Irã aumentaram a inflação novamente em abril, mas as pressões sobre os preços permanecem de alcance restrito e não é provável que se transformem em um impulso reflacionário mais amplo”, disseram os analistas da Capital Economics.
Em uma base mensal, os preços ao produtor aumentaram 1,7% em abril, depois de terem subido 1% em março.
O escritório de estatísticas atribuiu a inflação mais alta nos portões das fábricas ao aumento dos preços em setores como metais não ferrosos, petróleo e gás e equipamentos de tecnologia, de acordo com o estatístico Huo Lihui em um comunicado.
As autoridades chinesas prometeram repetidamente estimular consumo interno, restringir a concorrência excessiva no mercado e impulsionar uma recuperação nos preços, já que as pressões deflacionárias pesam sobre as margens de lucro das empresas.
O aumento dos custos globais de energia também está elevando o custo de vida. O planejador estatal da China aumentou os preços de varejo da gasolina e do diesel desde o início do conflito no Oriente Médio, embora tenha limitado as altas para atenuar o impacto sobre os consumidores. As principais companhias aéreas chinesas aumentaram taxas adicionais de combustível para voos domésticos.
Com informações da Reuters e AFP
Fonte: Folha SP

