O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (15) um aporte de R$ 20 bilhões para programas de habitação como o Minha Casa, Minha Vida. A origem dos recursos é o Fundo Social. Também foi anunciada uma expansão no Reforma Casa Brasil, programa que subsidia reformas.
Os anúncios vêm no momento em que Lula procura aumentar sua popularidade visando à reeleição. Pesquisa Datafolha divulgada na última semana mostrou o presidente empatado nas intenções de voto para o segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A apresentação feita pelo novo ministro das Cidades, Vladimir Lima, aponta para as seguintes alterações no programa de reformas:
-
Aumento de R$ 9.600 para R$ 13 mil na faixa de renda elegível para o programa;
-
Elevação de R$ 30 mil para R$ 50 mil no teto de crédito para as reformas;
-
O teto de juros é reduzido de 1,95% ao mês para 0,99% ao mês, e o prazo de amortização passa de 60 meses para 72 meses (de cinco para seis anos).
O anúncio foi feito pelo governo em evento no Palácio do Planalto com ministros e representantes da indústria da construção civil. Lula fez um discurso rápido.
Ele reclamou do patamar da taxa de juros, e disse que o Banco Central baixará a Selic se olhar as ações do governo.
“O Banco Central precisa olhar o que o Tesouro fez, o que o Planejamento fez aqui. Quando o Galípolo [Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central] voltar da viagem dele à Europa eu vou falar ‘olha aqui, os meninos da gastança estão reduzindo o dinheiro’”, disse o presidente da República.
O presidente disse que os governos petistas criaram o Minha Casa, Minha vida para tentar acabar com o deficit habitacional, mencionou a capacidade de geração de emprego da construção civil e falou sobre a relação entre esse setor da economia e os projetos do governo.
“Se a gente quiser fazer escola de tempo integral no Brasil inteiro, não pode ter o mesmo padrão de escola que a gente tem hoje”, declarou o presidente.
No final de março, o Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou o aumento na renda máxima de famílias que podem financiar imóveis pelo Minha Casa, Minha Vida. O limite de renda familiar mensal da faixa 1 passou de R$ 2.850 para R$ 3.200. Na faixa 2, o teto da renda passou de R$ 4.700 para R$ 5.000, enquanto na faixa 3 os valores passaram de R$ 8.600 para R$ 9.600. O valor máximo da renda familiar permitido na faixa 4, voltada à compra da casa própria pela classe média, subiu de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
O foco do governo é estimular a compra da casa própria pela classe média, que enfrenta um gargalo diante da alta de juros e da escassez de recursos da poupança, uma das principais fontes de financiamento barato para o setor imobiliário.
Fonte: Folha SP

