Há 200 milhões de anos, a Antártida estava ligada à América do Sul, à África, à Nova Zelândia, à Austrália e à Índia. O bloco inteiro formava o supercontinente Gondwana.
Depois da separação, o continente antártico ficou com 14 milhões de quilômetros quadrados (o Brasil tem 8,5 milhões); são rochas vulcânicas e geleiras imensas que armazenam 70% da água doce e 90% do gelo do planeta. É um lugar inóspito, assolado por ventanias e furacões e temperaturas inferiores às do Polo Ártico.
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Na coluna anterior, descrevi as primeiras impressões da viagem que acabei de fazer à Antártida. Estive lá para um documentário sobre as pesquisas científicas que o Brasil desenvolve na Estação Comandante Ferraz, uma construção moderna, impressionante, que conta com 17 laboratórios equipados para receber os cientistas das nossas universidades.
A presença brasileira é consequência da adesão ao Tratado da Antártida, criado durante a Guerra Fria para evitar disputas territoriais e garantir a cooperação científica no território. Hoje são 29 os países que operam estações de pesquisa. Só eles podem pleitear o status de membro consultivo com direito a voto e a veto.
Para fazer parte desse grupo seleto, o Brasil criou o Proantar, o mais longevo dos nossos programas científicos. O braço científico fica por conta do Ministério da Ciência e Tecnologia e de sua agência de financiamento, o CNPq. A logística cabe à Marinha Brasileira, que mantém durante o ano inteiro o funcionamento da estação, de dois refúgios para o acampamento de pesquisadores e de duas embarcações: o navio de apoio oceanográfico Ary Rongel e o navio polar Almirante Maximiano, também equipado com laboratórios. O transporte de pessoal e de tudo o que entra e sai da estação fica por conta desses navios e dos voos operados pela FAB.

