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Com a chegada do outono – o equinócio acontece amanhã, dia 20 de março, não é apenas o clima que muda. Os dias começam a se encurtarem, a luz natural se torna mais suave e a paisagem perde parte da sua intensidade. É um movimento sutil, mas que convida ao recolhimento. Ficar mais em casa, desacelerar e buscar conforto passam a fazer parte do cotidiano.
E essas mudanças se refletem no décor de interiores. De forma quase intuitiva, surge o desejo de transformar os ambientes, tornando-os mais acolhedores e alinhados com o ritmo desses meses. Mais do que estética, trata-se de uma experiência sensorial — uma casa que acompanha o tempo lá fora.
“Quando trazemos paletas neutras e terrosas para dentro de casa, criamos uma continuidade visual entre interior e exterior, algo que o cérebro reconhece como confortável e coerente”, explicam os arquitetos Mariana Meneghisso e Alexandre Pasquotto, do escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura.
Cores do outono
O clima outonal nos inclina a viver em uma atmosfera mais orgânica, receptiva e sofisticada. Segundo as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, à frente do escritório Dantas e Passos Arquitetura, a estação é guiada por três pilares principais: bases neutras e terrosas, verdes profundos e detalhes vibrantes, porém calorosos.
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Ainda de acordo com elas, tons inspirados na natureza dominam as escolhas. Terracota, argila, marrom chocolate e diferentes variações de verde aparecem com força, mas sempre acompanhados de materiais que reforçam essa proposta, como madeira, cerâmica e fibras naturais. “São mesclas que adicionam personalidade e o clima convidativo que buscamos de uma maneira muito intuitiva”, afirmam.
A proposta também dialoga com uma estética mais atemporal. Paletas baseadas em beges quentes, centeio, caramelo e verdes como oliva, musgo e eucalipto ajudam a construir ambientes elegantes e equilibrados, comumente associados ao chamado ‘luxo silencioso’.
Na mesma linha, a arquiteta Rosangela Pena destaca a presença de verdes profundos e botânicos, além de tons neutros quentes e cremosos.
Todavia, os arquitetos dizem também que há espaço para derivações como o azul petróleo, tangerina escuro e até tons mais intensos, como vermelho pimenta e marrom bronze, que ajudam a desenvolver pontos de destaque. A aplicação pode ser gradual, sempre combinada com neutros quentes tais como o bege e off-white, conforme orientam os especialistas.
“Costumo trabalhar com bases quentes e pouco saturadas, como bege amendoado, areia tostada e marrom suave, que registram uma certa profundidade, porém sem pesar”, preconiza Rosangela.
A arquiteta Denise Barretto reforça que não é necessário mudar toda a decoração. “Pequenos detalhes exercem grande poder de transformação”, diz. Almofadas, mantas, objetos decorativos e até plantas já são suficientes para inserir a essência outonal.
Fonte: Abril, Tu Organizas

