Perder peso é o sonho dos que estão acima dele. Até aqui, a medicina quase nada tinha a oferecer além do jargão “mais atividade física e dieta saudável”.
Cinquenta anos atrás, dispúnhamos de meia dúzia de drogas para moderar o apetite, mas os efeitos adversos eram de tal ordem que poucos conseguiam aderir ao tratamento.
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Então surgiram os agonistas do receptor GLP-1, que se ligam a esse receptor presente na superfície de uma série de células do corpo humano. O impacto tem sido tão grande que, em entrevista à revista Nature, Timothy Carvey, professor de endocrinologia da Universidade do Alabama, afirmou: “Esta era do desenvolvimento de novas drogas para o tratamento da obesidade tem potencial para ser um marco na história da medicina, semelhante ao da descoberta da insulina, da penicilina e da vacina contra a poliomielite“.
Tudo começou há 40 anos, com um lagarto preto com manchas alaranjadas pelo corpo, venenoso, que vive nos desertos do México e do sudoeste dos Estados Unidos. O interesse por ele veio da habilidade para regular o metabolismo e os níveis de glicose no sangue por longos períodos, mesmo na falta de alimentos.
Num exemplo da importância da pesquisa básica para o desenvolvimento da ciência, um grupo do National Institutes of Health isolou várias substâncias presentes no veneno. Uma delas, a exendina-4, estimulava o pâncreas do animal a produzir e liberar insulina.
Curiosamente, a exendina-4 apresentava configuração molecular semelhante à do hormônio humano GLP-1, que estimula a produção de insulina em resposta ao aumento da concentração de glicose na corrente sanguínea. Mas, enquanto a ação do GLP-1 dura minutos, a de exendina-4 se mantém por horas.
No diabetes tipo 2, a dificuldade para controlar os níveis de açúcar no sangue está ligada ao comprometimento da produção e da ação da insulina. Como a exendina-4 mimetiza a função do GLP-1, porém de modo mais sustentável, a lógica foi testá-la no tratamento do diabetes.
Depois da aprovação pelo FDA americano, o medicamento foi lançado com o nome de Byettta. Em 2006, a empresa que o produziu faturou US$ 430 milhões, vendas que cresceram 50% no ano seguinte.
Nos estudos que precederam o lançamento, ficou evidente que os pacientes perdiam peso.

