Como o calor e a umidade agravam crises alérgicas?

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Como o calor e a umidade agravam crises alérgicas?

As altas temperaturas e as mudanças no clima têm sido associadas ao aumento das crises alérgicas. Fatores como calor, umidade e poluição alteram o ambiente e favorecem a circulação de alérgenos, ampliando a exposição da população a substâncias capazes de desencadear inflamações nas vias respiratórias e na pele.

De acordo com Ligia Machado, alergista do Delboni, laboratório da Dasa, já existem evidências científicas que reconhecem a relação entre clima e agravamento de alergias, especialmente as respiratórias, como rinite alérgica e asma

“O aumento da temperatura, associado às maiores concentrações de gás carbônico na atmosfera, pode favorecer a produção e a potência dos aeroalérgenos, além de modificar a distribuição geográfica das plantas que causam alergia. Como consequência, a população fica mais exposta a esses alérgenos, o que pode levar ao aumento dos sintomas respiratórios”, explica.

Mas o impacto não se limita às plantas e aos pólens. Em períodos de calor, outros agentes ambientais também se tornam mais frequentes, ampliando a exposição a partículas capazes de desencadear crises.

“Além disso, temperaturas mais altas favorecem o aumento da concentração de esporos de fungos no ambiente. Eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, enchentes e períodos de seca, também contribuem para a maior proliferação de mofo e para o aumento da exposição a poluentes atmosféricos, fatores que podem agravar doenças alérgicas”, diz a especialista.

Veja também: Como o aumento da temperatura afeta o nosso corpo?

 

Impacto da poluição e das mudanças climáticas

A poluição do ar tem papel relevante nesse processo. Além de irritar diretamente as vias respiratórias, os poluentes podem intensificar a resposta inflamatória do organismo no geral. “Os poluentes do ar podem estimular o sistema imunológico, aumentando a chance de desenvolver alergias e intensificando a inflamação das vias respiratórias. Isso contribui para que as crises ocorram com mais frequência e sejam mais graves, como destaca a American Academy of Allergy, Asthma and Immunology”, afirma Machado. 

Mudanças climáticas também alteram o comportamento de plantas e microrganismos presentes no ambiente, ampliando o tempo de exposição a alérgenos. 

“As mudanças de temperatura e os níveis de umidade do ar podem afetar significativamente os portadores de alergias respiratórias. O calor associado à umidade favorece a proliferação de ácaros e fungos, sendo estes as principais causas de alergias respiratórias no nosso meio”, explica Cristina Kokron, imunologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

O aquecimento global também interfere no ciclo natural das plantas, prolongando o período em que pólens permanecem circulando no ambiente. 

“Com a chegada mais precoce da primavera, o período de polinização começa antes e dura mais tempo. As plantas também passam a produzir mais pólen, o que prolonga a exposição das pessoas a esses alérgenos”, afirma a médica. 

 

Processos inflamatórias e alergias cutâneas

O calor extremo e a poluição também podem afetar as barreiras naturais de proteção do organismo, como a pele e as mucosas das vias respiratórias, favorecendo a entrada de substâncias alergênicas. 

“Isso facilita a entrada de alérgenos (substâncias, geralmente proteínas, que provocam reações alérgicas) e ativa células do sistema imunológico, desencadeando processos inflamatórios que podem se tornar crônicos”, alerta Kokron. 

Além das doenças respiratórias, alterações climáticas também podem repercutir em alergias cutâneas, especialmente em pessoas que já apresentam predisposição. 

“Doenças alérgicas de pele, como a dermatite atópica, podem apresentar piora. O calor excessivo e o aumento da umidade podem contribuir para alterações na barreira epitelial, tanto da pele quanto das vias respiratórias”, destaca Machado. 

Veja também: Como as mudanças climáticas podem afetar a sua saúde?

 

Ar-condicionado e ventiladores também influenciam sintomas

Equipamentos usados para amenizar o calor também podem interferir no quadro alérgico, dependendo da forma de uso e da manutenção.

Segundo a alergista, aparelhos de ar-condicionado podem ajudar a controlar a umidade e filtrar partículas presentes no ar. Porém, quando não passam por limpeza adequada, tornam-se fontes adicionais de alérgenos no ambiente.

“O uso de ar-condicionado pode ter efeitos diferentes dependendo da manutenção do aparelho. Quando bem higienizado, ele pode ajudar a reduzir a umidade do ambiente e filtrar partículas e alérgenos. No entanto, quando não recebe manutenção adequada, pode acumular e dispersar poeira, ácaros, fungos e partículas poluentes, contribuindo para a piora dos sintomas alérgicos”, explica.

Já os ventiladores podem intensificar a exposição a partículas presentes no ambiente ao movimentar poeira e microrganismos. De acordo com Machado, eles podem ressuspender poeira doméstica, ácaros e esporos de fungos presentes no ambiente, aumentando a exposição a esses alérgenos.

O uso contínuo de ar-condicionado pode ainda interferir nas defesas naturais das vias respiratórias. “O ar condicionado reduz a umidade do ambiente e assim causa ressecamento da mucosa nasal. Isso prejudica o funcionamento dos cílios que ajudam a filtrar partículas inaladas, facilitando a entrada de alérgenos nas vias respiratórias”, afirma Kokron.

 

Cuidados que ajudam a prevenir crises

Apesar da influência crescente de fatores ambientais, alguns cuidados no cotidiano podem contribuir para reduzir o risco de crises alérgicas durante períodos de calor intenso. Controlar a umidade dentro de casa é uma das estratégias mais importantes para limitar a proliferação de ácaros e fungos.

“Manter a umidade relativa do ar dentro de casa entre 30% e 50% é fundamental, pois níveis acima de 50% favorecem a proliferação de ácaros e fungos”, orienta Machado.

A organização e a higienização do ambiente doméstico também reduzem a presença de partículas alergênicas. “Os ambientes devem ser mantidos bem ventilados e limpos, evitando-se carpetes, cortinas pesadas e excesso de estofados, que acumulam poeira e umidade.”

Outros cuidados envolvem a proteção das mucosas respiratórias e da pele, que funcionam como barreiras naturais contra agentes externos. “Realizar a hidratação das mucosas com soro fisiológico 0,9%, várias vezes ao dia, assim, além de manter a mucosa úmida, os alérgenos são removidos mecanicamente”, explica Kokron. 

Para pessoas com alergias cutâneas, algumas mudanças na rotina ajudam a evitar irritações e inflamações. “Para quem tem alergias à pele, é preciso ter cuidado com o suor. Deve-se evitar banhos muito quentes, usar roupas leves e hidratar a pele para restaurar a barreira cutânea”, conclui a imunologista. 

Veja também: Cuidados com a garganta, o nariz e os ouvidos que você precisa ter no verão



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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