Sorogrupo B avança e muda perfil da doença meningocócica no país

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Sorogrupo B avança e muda perfil da doença meningocócica no país

A doença meningocócica invasiva (DMI) é um quadro que engloba a meningite, a meningococcemia ou ambas. Enquanto a meningite é a inflamação das meninges — isto é, das membranas que revestem o cérebro —, a meningococcemia é a infecção generalizada no sangue. 

Vírus, fungos, parasitas e bactérias são os principais causadores desse tipo de inflamação. Hoje, no entanto, 80% dos casos de meningite no mundo são provocados por duas bactérias específicas: a Streptococcus pneumoniae e a Neisseria meningitidis. Esta última, também chamada de meningococo ou bactéria meningocócica, é a responsável pelos casos de DMI, a manifestação mais grave da doença.

Sorotipos B e C: mudança preocupante de perfil

Desde 2010, o meningo C era o sorotipo da Neisseria meningitidis mais prevalente entre a população brasileira. No mesmo ano, a vacina meningocócica C, cuja ação foca exatamente nesse sorotipo, foi incluída no calendário de vacinação do SUS. A soberania do meningo C, no entanto, se manteve. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Em 2015, as coisas começaram a mudar: um novo sorotipo, o meningo B, se tornou o mais incidente em crianças menores de 1 ano. Em 2023, esse sorotipo passou a ser o predominante na população brasileira como um todo. Em 2024, as meningites bacterianas foram, pela primeira vez em décadas, mais frequentes entre os brasileiros do que as meningites virais. 

“No período pandêmico, houve a diminuição de todas as doenças de transmissão respiratória. A partir de 2022, tivemos um novo aumento, só que de forma diferente. As virais aceleraram, mas, a partir de 2024, as meningites bacterianas ocuparam o primeiro lugar, o que é preocupante, porque elas têm maior gravidade”, detalhou Ana Medina, gerente médica de vacinas da GSK Brasil, durante masterclass realizado pela farmacêutica em São Paulo. 

A DMI é uma doença aguda, urgente, de difícil diagnóstico e rápida progressão. Os sintomas clássicos da doença, como mãos e pés frios, rigidez na nuca e incômodo ao olhar para a luz, aparecem entre 9 a 15 horas após o início do quadro. Eles podem evoluir rapidamente para perda de consciência, convulsão e até morte em menos de 24 horas.

Hoje, de acordo com o Ministério da Saúde, 59% das DMIs no Brasil são causadas pelo sorogrupo B e 2 em cada 10 pessoas afetadas vão a óbito. Um terço dos pacientes são crianças com menos de 9 anos, também sujeitas a maior letalidade.

“Em relação à incidência por idade, a gente sempre teve os menores de 1 ano como os principais acometidos. Em relação aos sorogrupos, a gente não sabe exatamente o que aconteceu. Temos a vacinação contra o [sorogrupo] C no público, então isso pode ser um dos fatores que reduziu [a incidência] no [período] pré-pandêmico. Mas, no pós-pandemia, as bactérias voltaram em ritmos diferentes. Isso ainda é uma incógnita. A gente não sabe por quê”, acrescentou Marcos Gonçalves, médico pediatra. 

Esquema vacinal de prevenção

Enquanto a ciência não tem essa resposta, o melhor tratamento é a prevenção. Para evitar infecções pelo sorogrupo B e por outros dos principais causadores da meningite e suas variações, o esquema vacinal recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é o seguinte:

  • Vacina BCG: 1 dose única ao nascer;
  • Vacina pentavalente (DTP+Hib+Hep B): doses aos 2, 4 e 6 meses;
  • Vacina pneumocócica 10-valente (PCV10): doses aos 2 e 4 meses e reforço aos 10 meses;
  • Meningocócica C conjugada (MenC): doses aos 3 e 5 meses;
  • Meningocócica ACWY conjugada: 1 dose aos 12 meses ou entre 11 e 14 anos a depender da situação vacinal.

Dessa forma, o indivíduo fica protegido contra os sorogrupos A, C, W e Y da bactéria meningocócica. A vacina MenB, que protege especificamente contra o sorogrupo B, está disponível no Brasil apenas na rede privada. Um processo para a sua incorporação no SUS em crianças menores de 1 ano está em tramitação atualmente.

Veja também: Vacinas na gravidez: quais podem e quais não podem ser tomadas



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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