Gestação aumenta o risco de infecção urinária; conheça os sintomas e complicações

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Gestação aumenta o risco de infecção urinária; conheça os sintomas e complicações

A infecção urinária ocorre quando bactérias — principalmente a Escherichia coli — entram na uretra e se multiplicam. A condição, que já é frequente entre as mulheres, tende a ser ainda mais comum na gravidez. Isso acontece porque as alterações hormonais desse período levam a um relaxamento dos músculos do trato urinário, o que pode retardar o esvaziamento da bexiga e facilitar a proliferação de bactérias e microrganismos. 

Segundo Pedro Melo, obstetra do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, no Rio de Janeiro (RJ), esse tipo de infecção pode ocorrer em qualquer fase da gestação, mas é mais comum a partir do segundo trimestre, quando as alterações hormonais e anatômicas ficam mais evidentes.

“No terceiro trimestre, a gestante pode apresentar maior vulnerabilidade em razão do aumento significativo do volume uterino, que comprime a bexiga e os ureteres, favorecendo a estase urinária [dificuldade de esvaziar a bexiga completamente]. Esse cenário cria condições propícias para a proliferação bacteriana e o desenvolvimento de infecções”, afirma. 

O principal fator de risco para a infecção urinária na gestação é o histórico prévio do problema, especialmente em mulheres que tinham episódios recorrentes. Além disso, diabetes, alterações anatômicas do trato urinário, ingestão hídrica insuficiente e hábitos inadequados de higiene íntima também aumentam o risco. 

Veja também: Como tratar a infecção urinária de repetição?

 

Sintomas e possíveis complicações da infecção urinária na gestação

Os sintomas mais comuns de infecção urinária são dor ou ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência para urinar e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. Em casos mais graves, pode ocorrer ainda febre, calafrios, dor lombar intensa e sangue na urina — o que sinaliza que a infecção pode ter chegado aos rins (chamada de pielonefrite). 

De acordo com o médico, para a gestante, isso pode resultar em comprometimento sistêmico e, em situações mais severas, sepse. “Do ponto de vista obstétrico, a infecção urinária está associada a um maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e alterações na frequência cardíaca fetal, o que torna o diagnóstico e o tratamento precoces fundamentais”, alerta. 

 

Como funciona o tratamento

O especialista explica que o tratamento é feito com o uso de antibióticos comprovadamente seguros para a gestação, escolhidos de acordo com o quadro clínico e, sempre que possível, com base no resultado de exames laboratoriais, como o exame de urina e a urocultura. 

“Existem esquemas terapêuticos eficazes e bem estabelecidos para gestantes. Vale destacar que é fundamental que o tratamento seja conduzido exclusivamente sob orientação médica, uma vez que a automedicação pode trazer riscos tanto para a mãe quanto para o feto”, afirma. 

Em situações graves, pode ser necessária internação, principalmente quando existe suspeita ou confirmação de pielonefrite, febre persistente, dor lombar intensa, náuseas e vômitos importantes ou sinais de comprometimento sistêmico. “Nessas situações, a paciente necessita de antibioticoterapia intravenosa e monitoramento clínico, tanto materno quanto fetal, até a estabilização do quadro.”

Veja também: Mitos e verdades sobre a gravidez – Saúde Sem Tabu #45

 

O que fazer para prevenir a infecção urinária na gestação

Medidas simples reduzem o risco de infecção urinária na gestação. Veja as orientações: 

  • Beba água: hidratar-se adequadamente ajuda a manter um bom fluxo urinário e eliminar bactérias;
  • Faça a higiene íntima adequada: a limpeza deve ser feita sempre da frente para trás, evitando a contaminação com bactérias da região anal;
  • Evite “segurar o xixi”: segurar a urina por longos períodos favorece a proliferação bacteriana;
  • Use roupas confortáveis: peças apertadas e tecidos sintéticos podem aumentar a umidade e favorecer a proliferação de microrganismos;
  • Não faça duchas vaginais: elas podem alterar a flora natural da região e aumentar o risco de infecções.

Caso tenha sintomas de infecção urinária, procure atendimento médico e evite se automedicar. “Apenas um profissional de saúde pode indicar o tratamento correto e seguro para a mãe e o bebê”, orienta Melo. Ele reforça ainda que o acompanhamento pré-natal adequado é a maneira mais segura de identificar e tratar precocemente qualquer complicação durante a gestação. 



Fonte: Minha vida, Dr. Drauzio Varella

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